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sábado, 27 de setembro de 2014

Kart!



A dica fantástica desse filmete é do Fernando Ribeiro, um kartista/artista de respeito. O cara que me ensinou os rudimentos da pilotagem desses micromonopostos tá aí também. É o Waltinho Travaglini.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Vintage Kart na Australia

Esses eventos com karts antigos, recentes no Brasil por iniciativa de caras como Jayme Barbarisi, Fernado Ribeiro, Clay Lopes, irmãos Strasser, Ricardo Guimarães e outros abnegados, são comuns em outros países. Um deles tem fama e tradição, já. É o Australian Vintage Kart Grand Prix.

Desse o Clay Lopes, um cara que gosta de surf, kart e Passat, participou. Aliás não só o Clay como o Lucio Tchê Pascual.

Alá a divulgação dos caras:




Legal de ver o tratamento que eles dispensaram ao Tchê, não? 

E...

O Clay ganhou na categoria em que correu, que era a de karts com 100 cc.

Tem um monte de fotos desse evento aqui neste link. Mas essa aí embaixo fui eu quem fez, em Interlagos:




sexta-feira, 21 de março de 2014

42


Quarenta e dois. Assim que Ayrton Senna era conhecido no kartódromo de Interlagos. E era o 42 que a gente corria pra ver andando, quando ia pra pista. Um cara quieto. Tímido, até. Mas boa gente.

Me incomoda o tanto que o mitificaram. Era um cara como qualquer outro, só que mais dedicado um pouco. E mais determinado.

Sem galvãobuenificar e sem pachecar, Lucio Pascual Gascón, o Tchê, seu primeiro preparador, conta várias histórias legais sobre Ayrton numa entrevista bem conduzida pelo Jayme Barbarisi aqui nesse link. Podem pular já pro minuto 27 (acho), que é quando começa o assunto Senna.

Os dois campeonatos mundiais que lhe foram tomados, seus motores míticos, o aprendizado com o Tchê, a rivalidade com Chico Serra, o pega com Waltinho Travaglini, o Tchê conta tudo.

A fotografia eu catei do Ricardo Becheli, que tava nesse grid mas mais pra trás. O cabeludo de camiseta branca é o Tchê.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Go Kart, GO!

Yamaha R6 600 cc, suspensões independentes na frente. Que tal?


Não tenho tido tempo de achar videos legais por causa da CG!. Então me aproveito do garimpo alheio. Esse foi do Fernando Ribeiro.

domingo, 18 de agosto de 2013

Vintage kart. Très chic

E não é que meu amigo Clay Lopes foi convidado pra participar de um mega evento de kart antigo na Austrália?

Alá nas as primeiras páginas do convite quem é que aparece nas fotos:



Na primeira página, ele: Ayrton Senna. E não ganhou nenhum mundial de Kart. Na segunda página, na última foto, de capacete branco e macacão coloridão, Clay, num evento que participou na Itália. Tchê, o lendário preparador, também aparece nas fotos usadas no convite mas não consegui achar.

Não é todo mundo que é convidado pra participar de evento desse porte. 

Mas a Austrália fica longe...

Update

Não é o Clay que está na última foto da segunda página do convite de macacão coloridão. Ele está nessas fotos, feitas num evento parecido em Jesolo, Italia. 

Aqui:



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Kart, comme il faut


Custo baixo, boa velocidade e sofisticação. Nada mal para um micro veículo de corrida. Um motor de moto, um chassis bem projetado, pneus de kart, pouca viadagem. Ótima receita.

Info, fotos, specs e mais videos, aqui.

A dica é do marujo de água doce Felipe Nicoliello.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

500 Milhas, dois motores, dez pilotos

Lula fazendo a parte dele direitinho

Em 1997 ou 1998 vivia-se o boom do kart indoor. Ainda tinha muita pista de kart de aluguél em São Paulo. Em 1995 chegou a ter 102 pistas na Grande São Paulo. Eu sei porque fui sócio (por alguns meses) de uma.

Promoções começaram, claro, a pipocar em todo canto.

A primeira grande prova com karts de endurance aconteceu em Itú, no kartódromo então recém inaugurado. 

Essa história não tem nada que ver com o endurance de 24 horas de Itú mas começa nele, uma vez que o kart da foto aí de cima foi comprado pra correr lá pelo Gabriel Marazzi, que montou um esquema até que bacana, com trailler pros pilotos atrás dos boxes e um bom aparato de ferramentas e peças. Pena que a inexperiência do time todo não o levou a uma colocação legal, apesar de terem eles terminado a corrida.

Ocorre que esse kart acabou ficando comigo e íamos, Gabriel, eu e alguns convidados, andar de vez em quando em pistas do interior do Estado.

Acabei comprando esse kart e fazendo as primeiras provas de um campeonato então chamado Sprint.

Só pra lembrar, os karts de corrida eram iguais aos de locação e treinávamos à noite, enquanto a pista era locada para diletantes.

Tive o prazer de correr com muita gente boa na minha pequena equipe. E muita gente ruim também.

Os piores foram os que fizeram a primeira edição das 500 Milhas da Granja Vianna comigo. Ou eu com eles, já que eu é que fui convidado por eles pra fazer essa prova.

O cara aí da foto, meu amigo desde sempre, me liga num belo dia me contando da prova, que eu não sabia que existia. Me propôs correr de graça, o que me interessou. Os outros nove pilotos é que arcariam com a inscrição, compra de pneus, peças, combustível (não lembro se tava incluído no valor da inscrição), óleo, etc. Uma pista de indoor nos emprestou dois motores e levei meus dois como reserva. Eu tinha também vários jogos de roda de reserva e ferramentas suficientes pra desmontar e montar o kart inteiro.

Na verdade o hardware todo era meu, incluindo uma pickup que fazia o transporte de tudo.

Tínhamos tudo pra fazer uma boa prova, ou pelo menos uma bem razoável, se se desconsiderasse a absoluta falta de experiência de mais da metade dos dez pilotos que iriam levar o kart até o fim da prova.

Os treinos não foram catastróficos, menos pra mim. Todo mundo queria pegar a mão do kart e da pista e não sobrava tempo pra EU andar. Naquela época eu gostava muito de andar de kart e treinava pelo menos duas vezes toda semana . Bem mais do que hoje.

Os tempos dos pilotos "contratados" não me animavam em nada. Sendo bem honesto, eles não sabiam nem guiar direito. Quanto mais tirar o máximo possível de um kart de endurance.

"Quéisso, Irineu! A gente tá aqui pela farra", me disse um deles. Fosse eu menos burro, tirava o time de campo naquela hora e ia jogar tranca com minhas irmãs em alguma praia pouco frequentada no litoral norte do Estado de São Paulo.

Corrida é assunto sério, sempre. Pelo menos pra mim. Dentro de um kart ou carro de corrida todo mundo é do mesmo tamanho e dá pra encarar qualquer adversidade basicamente usando só a experiência. 

Pra mim, isso.

Acreditando em milagre, fui adiante no projeto de fazer a corrida.

Deixei minha pickup com o cara da foto e peguei a que estava com ele, bem maior, pra levar todo o equipamento de uma vez só pra Granja Vianna.

Montei o box praticamente sozinho. Faltando poucas horas pra começar a classificação é que contratei um ajudante. A idéia era eu fazer tudo sozinho: pilotar nos stints que me cabiam, manter o kart funcionando por 12 horas ou mais e coordenar os outros nove caras.

Mas isso não durou muito. Um deles, já experiente e campeão paulista numa categoria de carros rápidos mas não qualificado pra guiar kart de dois motores queria fazer ou a classificação ou o primeiro stint, ou seja, a largada. 

Rá! No MEU kart.

Não é por nada mas se tem uma coisa que sei fazer muito bem é largada. Classificação, numa prova longa, não tem tanta importância. Mas a largada tem muita. Tem muito tráfego e mais da metade do grid quer ir pra frente o mais rápido possível. Tem que ter muita paciência, visão de corrida, conhecimento da pista e jogo de cintura pra escapar das cagadas burradas dos outros.

O traçado das 500 Milhas era exclusivo dessa prova e liberado para os pilotos apenas no dia da prova, poucas horas antes. Não tinha muito tempo pra treino porque era uma medida pra tentar nivelar os pilotos amadores aos profissionais, creio eu.

Não deu outra. Perdí a discussão e acabei fazendo só a classificação, deixando o multicampeão intergalático largar.

Uma curva, duas, três, quatro e... pimba!

O multicampeão se deixou envolver numa porrada e nem fechou a primeira volta, levando MEU kart para o box. Uma roda traseira quebrada e carenagem (novinha) detonada.

Eu e o ajudante trocamos tudo rapidinho e botamos o cara pra andar outra vez. Em seguida, eu guiando. O kart tava ótimo apesar dos fracos motores emprestados. Não demorou muito e me tiraram da pista. Por mim, ficava lá até hoje.

O próximo piloto parou com um motor inoperante. Trocamos de motor e o kart voltou pra pista. Desmontando parcialmente esse motor emprestado, saquei que era muito velho e desgastado. Nem preciso dizer que os motores que usamos na corrida nos foram entregues aos 45 minutos do segundo tempo e não tive tempo pra revisá-los. Óbvio também que eu queria muito economizar os meus motores. Mas não teve jeito.

Os balancins dos motores emprestados, desgastados que estavam, saíam do alinhamento válvula/vareta constantemente. Era fácil de arrumar isso, até, mas o problema voltava. Então botei os meus motores, mais confiáveis, pra andar.

Isso consome tempo, claro. Tempo e paciência, já que eu tinha que fazer a troca contando apenas com a ajuda do menino que contratei e com palpite de todo mundo.

Paciência é um atributo escasso na minha personalidade, diga-se.

Mas...

Motores em ordem, vamos tentar recuperar uma parte do prejuízo. 

Uma dada hora, a da troca dos pneus, entra um piloto para fazer seu primeiro stint (devia ser a quinta ou sexta hora do kart na pista). Pneus trocados e calibrados, mandei o cara pra pista. Já era madrugada e tava serenando.

Vou parar o relato agora pra pensar um pouco. Pneus novos requerem algumas centenas de metros até que comecem a funcionar direito. Tanto por causa da temperatura como pelo fato de não serem "limpos" de outro material que não seja a própria borracha. Além do que, à noite pistas de asfalto esfriam, retardando o aquecimento dos pneus.

Voltando à corrida, o cara deu uma volta e entrou no box pedindo pra calibrar os pneus porque o kart tava absolutamente sem grip.

Meu ajudante foi correndo pegar o calibrador de pneus e o bico da mangueira de ar. Ainda bem que eu tava de olho nessa hora. Não deixei, claro, o ajudante fazer nada. Fui até o kart e perguntei o que tava acontecendo. O cara berrou outra vez que o kart tava sem grip e queria mudar a calibragem dos pneus.

Paciência acaba e a minha acabou naquele exato instante. 

Tirei o cara do kart aos berros, dizendo que ele não precisava nem mais ficar no kartódromo porque não ia mais guiar aquele kart. O MEU kart.

Subí eu mesmo nele e fui pra pista. No kart que não tinha grip e precisava de nova calibragem nos pneus. 

Na amurada dos boxes, apenas meu ajudante torcia por mim. E muito! Acho que nunca fiz tanta ultrapassagem na minha vida. Por dentro, por fora, em freada de fim de reta, em subida, em descida, com as quatro rodas no ar (tem um jump no traçado das 500 Milhas). Eu não sabia mas foi nesse stint que nasceu o nome deste blog. 

O resto apenas olhava.

Depois desse stint entreguei o kart, o box e tudo que tinha dentro pro resto da equipe e fui dormir dentro da minha pickup. Quem me conhece sabe que uma vez desligado desse mundo terreno, difícilmente acordo por interferência externa. E foi o que aconteceu. Só acordei com o dia já claro.

No box, descobri que muitas equipes tinham abandonado a prova. Descobri também que a minha equipe tinha virado zona na minha ausência. Até o filho do multicampeão tinha pilotado o kart. Nem inscrito pra prova ele tava.

A última visão do meu kart na pista foi de um dos pilotos do meu time atrapalhando o kart oficial do cara que nos emprestou os motores. Mas mesmo assim terminamos uma posição adiante do kart do time do Rubens Barrichello.

Trigésimo, acho. Se bem que isso não tem a menor importância, uma vez que piloto só conhece três categorias de números ordinais: de primeiro a nono é uma. De décimo a décimo nono é outro e diz-se péssimo (péssimo primeiro, péssimo segundo e adiante). E de vigésimo em diante é tudo bagagésimo e não faz a menor diferença.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Street karting




Pois é. Tem gente que anda de kart na rua. Já fiz isso também. É um dos melhores jeitos pra se sentir fora da lei.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Kart! KART!

Bom, eu me ferrei neste ano. No ano passado me aproveitei de uma brecha no regulamento e conseguí ser campeão num dos torneios da Amika. Neste ano fui desclassificado de uma das primeiras provas e agora, no finalzinho do campeonato, machuquei seriamente meu ombro esquerdo o que me impediu de sentar num kart mesmo pra passear (tentei e não deu certo - dói demais). Mas a brecha é o maldito play off. Isso é injusto com quem tá no campeonato desde o começo porque pode chegar um cara como eu, caindo de paraquedas nas provas finais, com as mesmas chances dos demais.

Minha opinião apenas.

Mas, não vim aqui pra falar de mim. A vez agora é dos meus novos amigos, André Mansano e Witold Phellip. Ambos novinhos, com muuuuita sede de acelerar e ganhar corridas e extremamente "boas gentes". Os dois.

Como abandonei a última etapa do Motorpremium por causa da maldita dor no ombro, pude ver o emocionante pega entre os dois. O Witold fez a parte dele, ganhando a corrida e fazendo a melhor volta. E o André também fez a parte dele, chegando bem perto, em segundo lugar, e levando o caneco por um ponto (se não me engano).

Apesar da minha fama de maldito dentro da pista (só a fama, na verdade, porque corro pra me divertir e não pra esquentar a cabeça), é muito legal disputar posição com eles quando tive a sorte de ter kart suficientemente bom pra isso.

Eles guiam bem. Eles guiam BEM!

Então boto essa foto aqui, onde fizemos 1, 2 e 3 numa das corridas do Motorpremium. Esse nível de camaradagem não é mais tão comum hoje em categorias boas de mídia.

Da esquerda pra direita, André, eu e Witold

E olha que cada um de nós tem pegada bem diferente um do outro.

(O André fez um post bacana e diferente no blog dele. Tá aquí, ó!)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Pilotagem, mas do meu jeito III


"Quantos dedos tem aqui?"
"Shhhhhheix? Shhhhhhhhum? Poha! Shhhhhheu te conshidero pra caralho! Me deisha voltar pra corrida!"

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pilotagem, mas do meu jeito II

Eu, de capacete, discutindo com o Alex Voltolini depois de uma sessão hard core na pista. Seguindo uma das regras básicas de pilotagem, claro: NUNCA tire o capacete antes de sair do parque fechado.

Depois que boto o capacete, sou só o cavalo. Baixa uma entidade em mim que é brincalhona e gosta de botar lata em freada e dar totó. Quando tiro o capacete, desincorporo e volto ao normal. 

Depois todo mundo vem tirar satisfação é comigo. 

Gosto muito disso não.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Só pra lembrar...

...que dia 17 vai ter o Primeiro Grande Premio de Kart Indoor da Terceira Idade.




Waltinho Travaglini, Marcelo Afornali, Lúcio Tchê e outros caras legais estarão lá pra ver a corrida. 

Programa de fim de domingo mais do que recomendado. 

sábado, 11 de junho de 2011

Pilotagem, mas do meu jeito

Foto roubada em amika.com.br. Click do Stênio Campos. Entre o banco e o volante, eu.



Faz tempo que quero falar sobre pilotagem de competição. Do meu jeito, claro. E competição de kart, que é acessível pra quase qualquer pessoa.

Já me perguntaram diversas vezes por que é que a gente (eu e "os cara") anda tão mais rápido na mesma pista, na mesma hora e com o mesmo kart.

Hora de tentar começar a responder.

Primeiro tem a técnica. Mas isso pra gente (poucos, na verdade) é coisa que não tem mais tanta importância. Mas deve ser dito.

Sem entrar em maiores detalhes, quanto maior for o raio da trajetória curva que a gente estiver descrevendo, mais rápido estaremos andando antes que o kart comece a escorregar.

Na verdade a gente tá escorregando o tempo todo enquanto percorre uma curva. Mas é uma escorregadinha discreta e que não reduz a velocidade de forma que a gente comece a perder tempo.

Tempo é importante. Quanto menos a gente perder, melhor. Depois volto a falar disso.

Então, basicamente é isso. Em trajetória não curva a gente afunda o pé no acelerador. Quando tá chegando perto da trajetória curva a gente breca até que a velocidade seja compatível com o arco a ser percorrido (descrito, em linguagem de geometria). Como a gente quer andar rápido, essa freada tem que ser feita no menor espaço possível.

Depois eu falo sobre como a massa, ou, o peso do conjunto (kart + a gente) se comporta em transição de movimento.

Antes eu quero falar de coisa mais importante, que é o que deveria estar na mente de quem tá pilotando.

Nada. Isso mesmo: nada.

Quem manda na pilotagem são os reflexos. A gente treina os reflexos pra pilotar e se preocupa com outras coisas relacionadas mas não diretamente ao ato de fazer o kart andar rápido. A gente já sabe que tem que frear e como frear. A gente já sabe que tem que virar o volante pra fazer uma curva e quanto virar. A gente tem gravado na mente o que tem que fazer quando o kart escorrega mais de traseira ou mais de frente. Isso tem que ser feito sem pensar. Tem que ser automático. Como piscar os olhos. A gente não comanda isso racionalmente. Apenas faz.

Nisso a gente não pensa. Daí eu ter falado que a gente não pensa em nada quando tá pilotando.

Sobra então grande capacidade de processamento pra "ler" a corrida, ou, avaliar nosso desempenho e o dos caras (e minas - elas aceleram um monte) e pensar no que tem que ser feito com o que a gente já tem, que é o que eu disse há dois parágrafos.

Sabendo e tendo gravado na mente o "como pilotar rápido", a gente dosa a velocidade em função dos outros que estão na pista na mesma hora.

Até agora não disse nada que ajude muito, né? Daqui em diante piora.

Fiz yoga. Não porque quis, mas porque era a atividade menos brutal que obrigatoriamente tive que fazer pra cumprir meus créditos e acabar a faculdade. Ou era isso ou iam me esfolar em quadras de basquete, futebol de salão e outros esportes violentos.

Ninguém acredita (sendo eu quem sou) que uso yoga até hoje, mais de 25 anos depois de ter aprendido algumas técnicas. Mais do que técnicas, minha  instrutora me deu uma outra visão de como usar meu corpo e minha mente. Me deu a chave pro domínio deles, de certo modo. Respiração, por exemplo, é comigo mesmo. Eu sei respirar. Mesmo fumando, não tenho problemas respiratórios. Isso ajuda muito enquanto a gente tá pilotando.

Pilotar é um exercício físico isométrico. A gente faz força sem se mover. Isso consome tanto o físico quanto a mente. Ambos precisam de oxigênio pra funcionar direito e a respiração treinada mantém o fluxo necessário. Só isso já justifica a prática da yoga.

Quem fica ofegante durante a pilotagem ou quem respira pela boca se ferra em pouquíssimo tempo. Falta ar e isso se torna uma preocupação. Essa preocupação tira o foco principal, que é "ler" a corrida. Tem quem fique nervoso também, logo antes de ir pra pista. Eu fico, às vezes. Mas é só respirar prestando atenção nos tempos de inspiração e expiração por alguns instantes que tudo fica em paz. Oito tempos inspirando, oito segurando o ar inspirado e dezesseis soltado-o. Essa é a proporção.

Já disse lá em cima que "nada" deve ocupar a mente da gente durante a pilotagem. Tem treino pra isso na yoga. Pra encher a mente de nada. E enche-se a mente de nada enquanto músculos e articulações fazem posições impensáveis pra quem fica apenas em pé, sentado ou deitado. Pra uma pessoa não iniciada é ótimo treino pra desprender a mente do corpo. Exatamente o que é necessário pra pilotar. Karts não são confortáveis. A posição do banco favorece mais a distribuição do peso no micro monoposto do que o conforto propriamente dito. A aceleração lateral (a força que tenta tirar a gente do banco quando em trajetória curva) é grande e é necessário algum esforço físico pra se manter sentado e na posição certa. Bem parecido com os ássanas da raja yoga, que era a modalidade que eu praticava.

Corrida ou treino é um filme. É um filme que a gente pilota. O kart é uma extensão do corpo da gente. Só que a gente não tá lá, no kart. Pode parecer esquisito mas é isso mesmo. Apesar da puta interação entre mente, corpo, chassis, motor, rodas e pneus, a gente tá mesmo é olhando adiante e se preparando pro próximo trecho da pista. A gente tem que preparar mentalmente as próximas curvas enquanto faz as do momento imediato. Aí que entra o Chi. (Explicando rapidamente, me envolví com isso porque me envolví com gente iteressada nisso que me interessava, se é que me entendem). Para orientais, o Chi é a energia vital. Mas não deve ser entendido como energia da forma que a gente conhece por não ser mensurável. E Chi a gente projeta pra fora da gente. Quando eu piloto e tô realmente empenhado em andar direito, projeto o Chi adiante, pra onde eu quero que o kart passe e do jeito que eu quero que se comporte.

Por enquanto tá bom, só isso. Mas esse texto é mutante e será modificado ao longo do tempo. Nos seus lugares, botava nos favoritos e voltava de vez em quando pra ver se tem alguma atualização.

Como eu disse, esse texto é mutante. Alá um texto do Bob Sharp sobre pilotagem em modo automático e modo manual, absolutamente pertinente e oportuno. Serve muito bem como apoio a esse aí de cima, que monta tosca e impressionisticamente o cenário de pilotagem de kart em competição:



Como eu disse, esse texto é mutante. Alá um texto do Bob Sharp sobre pilotagem em modo automático e modo manual, absolutamente pertinente e oportuno. Serve muito bem como apoio a esse aí de cima, que monta tosca e impressionisticamente o cenário de pilotagem de kart em competição neste link aqui.