terça-feira, 22 de outubro de 2013

GT 1967, o chassis

Stefano, o dono do GT 1967 do post passado, manda fotos de quando o carro ainda era um esqueleto.

Alá:





Conta o Stefano: 

"Conforme combinado, te mando anexas as fotos do chassis. Elas foram tiradas na Personal Parts (Aricanduva*), que trabalhou nas alterações da fibra.

Nessas fotos ainda não estava montado o eixo cardan.

Este chassis foi depois complementado com uma extensão na parte de trás (tipo console), para apoiar e fixar a traseira.

As duas chapas entre as longarinas foram previstas para apoiar o assoalho e os bancos. Entre o chassis e o assoalho coloquei um lençol de borracha.

A oficina responsável por este chassis e sua montagem mecânica foi a Autoracing, no Carrão*. O escapamento foi construído pela Binho Escapamentos, também no Carrão. Você pode notar uma parte flangeada, junto ao motor. Foi prevista para um catalisador mas acabei usando um flexível metálico para deixar a parte posterior do escapamento rígida (vibrava e batia na fibra).

Três parceiros muito bons e competentes.


Abraços,

Stefano"

Certamente esse GT 1967 não é uma gambiarra sobre rodas. Foi planejado e executado com capricho. Dentre outras coisas, esqueci de pedir pra dar uma volta. Espero fazer isso em breve.


*Aricanduva e Carrão são bairros da longínqua zona leste de São Paulo. 


Update na veia: este é o post #1000!




domingo, 20 de outubro de 2013

GT 1967

Modificar carros. Sonho de muitos, habilidade para poucos. Faz certo tempo eu queria trocar uma moto por algum carro com mecânica VW refrigerada a ar pra modificar o motor. Qualquer VW a ar servia. Podia ser Brasilia, fusca, buggy ou Puma. Acabei comprando um Puma. E modifiquei o motor. Agora é um 1.600 cc ardido, com cabeçotes e válvulas modificados, comando de válvulas com maior permanência, outro sistema de ignição, etc, etc e uma dupla de carburadores HPMX Empi 44 lindos de morrer.

Mas comprei o mais comum dos Pumas. Um GTE 1980. Pouco mudou esse carro desde sua primeira versão, de 1977, até a última, de 1980, e certamente foi o Puma mais produzido da face da Terra.

Aceitável, então, que se lhe modifique o dono, se assim quiser. Mas que é difícil ver um GTE desse período modificado com bom senso e gosto...

Tanto mais antigos, menos produzidos e portanto mais raros e valiosos, são os Pumas. Os primeiros, então, com mecânica DKW (chassis encurtado, alavanca de câmbio no assoalho. O resto é igual ao carro que lhe cedeu a mecânica), são bastante raros e muito bem cotados no mercado de antigos.

Restaurar um Malzoni (seu primeiro nome, em 1966) ou um Puma GT (de 1967) já é tarefa penosa para quem não o conhece direito. Modificá-los, então...


Mas foi uma tarefa que Stefano, dono desse raro GT 1967, encarou corajosamente tanto pela dificuldade do projeto como pelos inevitáveis ataques de aficcionados tradicionalistas pela marca. Comprado há mais de 30 anos em estado de sucata, ficou encostado até pouco tempo atrás quando começou a ser extensamente modificado.

Pouco sobrou do belo Puma original. Agora esse carro tem motor dianteiro (como era antes, só que em outra posição, bem recuado em relação ao eixo dianteiro, e tração traseira. Não usa mais o chassis em X do DKW e sim um construído especialmente, com perfís retangulares e bem parecido com o chassis do Puma GTB. Tem eixo traseiro tipo hotchkiss de Opala e suspensão dianteira do Chevette.

O motor é o manjado VW AP:



Pinças de freio Brembo e discos nos quatro cantos:


Sem entrar no mérito do desenho do carro, as modificações foram muito bem feitas em fibra de vidro. As novas frente e traseira encaixam perfeitamente na carroceria de quase 50 anos. Os forros de porta foram muito bem executados, assim como todo o interior do carro. Os quadros das janelas laterais, calcanhar de aquiles de todos os Puma, foram substituídos por extensões em fibra de vidro:



Curiosamente, a vigia traseira é nova e foi comprada quase na mesma época que o carro. É de plexiglass:


E a traseira:


Uma coisa é certa: o carro foi muito bem feito e desperta curiosidade e interesse. Durante todo o tempo que demorei pra fazer essas (e outras) fotos, Stefano foi assediado e assolado por centenas de perguntas e comentários. 

Definitivamente, esse GT 1967 não passa desapercebido.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Carrinhos e fotografias

Sempre montei kits plásticos de carros e carros de corrida. E agora, fotografo. Quem sabe daqui 25 anos não faço a mesma coisa que Michael Paul Smith.

Alá:



Explicações e mais fotos, aqui.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Criança esperança

Ações humanitárias são sempre bem vindas. De todo tipo. Já vi motoboys se juntando para dor sangue, inclusive. Ajudou um pouco a melhorar a imagem que faço deles, inclusive.

De todo modo, uns caras se juntaram pra levantar e doar fundos para uma campanha de conscientização a respeito do câncer de mama.

Olha só o que esses caras fizeram:


A dica, óbvio, só podia ser do Tite.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Palio Weekend Adventure Locker D´Orleans e Bragança

Em produção já há 16 anos, a boa e velha perua derivada do compacto Palio já foi configurada de vários modos pelo departamento de marketing da Fiat. Já teve motor 1.0, câmbio de 6 marchas, já foi luxuosa e já foi espartana. Teve até motor Chevrolet!

A versão que experimentei é quase um SUV. Com pneus grandes e de uso misto, é mais alta e mais comprida na distância entre-eixos do que as versões mais comportadas e exclusivamente urbanas.

Parece um off road. Mas só parece.


O desenho agradável das versões urbanas foi brutalizado a ponto de quase transformar a perua num personagem mutante de filme. É extremamente "encapada" por apliques plásticos. Encapada e recheada. Gadgets plásticos tais como um cinzeiro que desencaixa dos nichos das indefectíveis latas de refrigerante (ou outra bebida, de preferência não alcoólica), porta-óculos no lugar da alça de teto do motorista, nichos das portas e rebaixos e reentrâncias estão espalhados pelo painel e console central da mesma forma que poderiam estar em prateleiras de lojas de hiakuen*. E parecem custar hiakuen.

Dinamicamente o carro é engraçado. Bem mais alto que o projeto original e usando pneus de jipe, mantém o padrão "cheesy" do fabricante italiano para produtos populares. Se bem que essa perua não custa pouco. Andando civilizadamente lembra bastante o ride de um... Novo Uno. Inacreditavelmente, apenas o roll da carroceria é bastante percebido, apesar de bem controlado. Pitch, não. A perua não afocinha em freadas fortes e não empina muito a frente em acelerações bruscas. Já o yaw... Mas depois falo disso.

A suspensão levantada a deixa com pouco curso "negativo". Se o carro pular, tira logo os pneus do contato com o solo. E os pneus são os únicos componentes de um carro que tocam o solo...

Grave, isso.

A perua escalou nosso parque de diversões, digo, trecho de subida de serra entre Taubaté e Ubatuba no litoral norte do Estado de São Paulo quase que pulando de curva para curva nas centenas de sequencias de esses ora de raio longo e arco curto, ora de raio curto e arco longo, destracionando e apresentando forte torque steer*. A combinação de motor de bom torque distribuído em curva plana, suspensão quase sem curso negativo, pneus grandes mas com pouco grip e forte bump steer* tornam a condução esportiva bastante complicada. O que é uma pena porque o motor e-Torq e o escalonamento da caixa de câmbio formam um ótimo conjunto. Nisso a Fiat é especialista, acho, já que é o terceiro Fiat em seguida que me deixa feliz nesse quesito.

Mas além dessa perua não ser de corrida, o line up do fabricante contem produtos mais adequados ao acúmulo de pontos na carteira de habilitação.

O yaw. 

Como já disse, esse é um carro comum, relativamente pequeno (4,3 m de comprimento), relativamente leve (1.200 kg), com boa relação peso/potência equipado com um powertrain pra lá de competente e que teria tudo para se mover em estradas proporcionando muito prazer. Porque é prazeroso guiar um carro "familiar" com apenas 9 kg por hp.

"Lá vem o cara esculachar um carro feito pra uso misto outra vez..."

"Não enche e me deixa explicar."

Faz tempo, eu divertia Expedito Marazzi ao dizer que "o que importa é manter o centro de massa do carro no traçado. Se estiver alternando escapadas de frente ou de traseira a gente conserta." Não era assim tão educadamente que eu enunciava o conceito. E não é que Palio Weekend Adventure Locker D´Orleans e Bragança me lembrou do jeito que eu costumava contornar a velha e longa Curva do Sol de Interlagos? Tive a sorte de conduzi-la sob chuva, rápido, confiando que o desenho bastante sulcado dos pneus de jipe ia drenar competentemente o filme de água. E o fizeram, até. Não sei se vocês conhecem ou lembram do ride típico dos velhos pneus diagonais, mas esses pneus de jipe se comportam de jeito bastante parecido. A maior diferença entre um pneu de construção diagonal e um de construção radial é que o segundo não deforma tanto a banda de rodagem quando em uso. Do mesmo modo que num dragster, os pneus da perua parecem afinar e aumentar de diâmetro com o aumento da velocidade. "Tive essa nítida impressão", disse o cara que vinha de moto atrás de mim. Esse fato tornou a inserção e a manutenção do carro em curva bastante trabalhosa, demandando inúmeras pequenas correções no volante.

O cockpit é confortável e espaçoso. Tudo ergonômico e de bom tamanho. Palios sempre foram assim. Apenas dois pequenos inconvenientes: a regulagem da altura do volante, que não é ampla o suficiente. Se a Fiat cobra por esse opcional, é justo que sejam apenas centavos, na mesma proporção do pequeno deslocamento para cima e para baixo. E o pedal do acelerador, que fica um pouco longe do pedal do freio. Mas isso dá pra contornar facilmente. É só dirigir de pantufas de pé de monstro.

De resto, é um carro completinho (não gosto desse termo e não vou ficar repetindo o tempo todo). Tem bancos revestidos de couro, um painel até bonito, tem bússola e inclinômetros (não vi muita utilidade nisso mas distrai as crianças), um computador de bordo cheio de funções (também não muito útil mas distrai os adultos), um toca-cd que lê pen drive e players cuja tomada USB fica inteligentemente escondida dentro do porta-luvas e um vistoso rack na capota, desenhado para cumprir apenas função estética, não sendo portanto adequado que se carregue peso em cima (tá no manual, isso).

Ah, sim. O ELD. Não é à toa que o carro tem a palavra Locker no seu longo nome (parece nome de nobre, até). Tem o botãozinho no confuso painel de utilidades batmanianas que trava a caixa de engrenagens planetárias do diferencial e teoricamente tira o carro de situações difíceis no off road,  onde se perde tração em apenas uma das rodas dianteiras. Apertei pra ver se funcionava e... apesar de ser chão de terra, ao virar a direção comecei a sentir uns estalos vindos da roda interna à curva que comecei a fazer. Acho que tinha grip demais. Desliguei logo e deixei por isso mesmo. O manual dedica vários parágrafos a esse gadget. A maioria deles começa com a palavra "não".

Tá explicado, isso. Certo?

Painel de utilidades batmanianas

 
Retrovisor fotocrômico. Devia fritar gente que empaca com 
farol alto ligado na nossa nuca. Mas não frita



Controla-se o sistema de som no volante. Mas não é sempre que
 se lembra que tem botão pra isso no volante


Cinzeirinho hiakuen

O pen drive fica protegido de joelhadas

 
Quarto pedal. Bem profissa, isso

Punta "tele" tacco

Distração pras crianças (bússola e inclinômetros)


Porta óculos hiakuen

Pneu de jipe

Glossário:

Hiakuen - é o nome (em japonês) da moeda de 100 ienes. Também é o nome das lojas de 1,99 no Japão. Sinônimo de coisa barata ou com aparência barata.

Torque steer - é a influência do torque de motores transversais dianteiros sobre a tração, forçando o volante de um lado para o outro. (Por isso que prefiro carros de tração traseira, sempre). 

Bump steer - tendência das rodas dianteiras esterçarem só com o afundamento ou distensão das suspensões, sem interferência do volante.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Projeto M

Ontem foi a vez da VEMAG. Hoje, de um fabricante que também não existe mais. Quem gosta de carro sabe que a Willys Overland e a Ford, que assumiu a operação no Brasil, chamavam de M o então futuro Corcel, segredo tratado de forma quase cômica neste filme.

Muito legal o clima desse documentário resgatado pela Dana (A Dana é foda. Resgata mais do que as equipes dos Thunderbirds do Espaço, Joe 90 e Stingray juntos). Tá tudo bem, não tem militar espancando ninguém, o Brasil tá indo bem, a capital nova é linda de morrer e logo logo vai ter Ford Corcel pra todo mundo.

Alá: