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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Commendatore Ceregatti, race car driver


Mesmo depois de tanto tempo ainda acho muito difícil ver uma cagada coisa errada em curso e ficar sem fazer nada. Não é nada fácil pra mim ver um carro de corrida correndo o risco de ir pra pista com algum erro grave de montagem ou preparação e ficar quieto. Ainda mais quando é um amigo que vai pilotar.

Pois foi o que aconteceu com o Commendatore Ceregatti na etapa de agosto de 2012 do Campeonato Paulista. Meu amigo cabeludo, grisalho e falante deu uma panca no treino de sexta-feira que danificou a saída do cano de escape do Vee #44. Na falta de outra igual, botaram um protótipo que foi refugado durante o desenvolvimento.

E o Commendatore reclamava que o carro passou a andar menos depois da troca.

Numa rápida inspeção descobrimos (L.G., sempre atento, e eu) que a sonda lambda "entupia" a saída dos gases.

"Isso tem que sair daí", pensei, já procurando um mecânico da equipe pra fazer o serviço.

Demorou. Eu mesmo peguei ferramentas e fui à luta. Do nada apareceu uma outra saída de escape que me pareceu mais adequada.

Troquei.

Fazia tempo que não sujava as mãos de graxa. Divertido, isso.

Conta o Ceregatti, num e-mail que nos mandou a respeito das voltas do L.O. no Nordschleife:

"ÉleÓ & Irineu...
(+Milton)

Que dizer? DOCARALHO 
(olha a educação, Cerega) é pouco, ainda "me dou" esse presente, podem esperar...
O bom é que vai ter um instrutor aí na Alemanha a postos: VOCE.
O Irineu não, é um irresponsável contumaz...
Aliás (rimou) ainda não dei a voce Irineu, meu MUITO OBRIGADO pela ponteira
do escapamento, por tua iniciativa e acabativa.
Saiba que o carro "acendeu" (adoro esse termo) durante a prova. Não como
estava, claro, no treino de quinta e sexta virava 3 segundos abaixo... Mas o
suficiente pra brigar por 7 voltas com um camarada que podia ser meu filho
(25 anos) e que foi desclassificado por estar 4 Kg abaixo do peso...
Pois é... Me diverti pra caray com um cara 44 Kg mais pesado que eu (pesei
570, 40 acima do mínimo).
Pra mim, nada mal. Logo voces verão as imagens, ficaram duca.
Tenho certeza que evoluí, mas falta muuuuuuuiiiiiitttttoooooooooo ainda.
Tinha tomado 2,8 segundos do Sandro, agora tomei "só" 2,0... E se não
tivesse feito aquela cagada gigantesca no treino, certamente essa diferença
cairia, podem ter certeza...
Fica pra próxima.
O importante é que, como o L.O, estou me divertindo demais, e aprendendo
tanto quanto.
Logo, logo colocarei o "documentário completo" no ar.
Desde o treino de quinta até o podio de sábado (dos outros, bem
entendido...)"

Só pra não deixar em branco, não sou o irresponsável contumaz que o Cerega alardeia. Só um pouco, quando necessário.

O video da panca do Commendatore tá aí embaixo. A panca tá nos 10'20" do longo filme:



domingo, 24 de junho de 2012

Veendo bem de perto

Carro de corrida não quer dizer apenas um motorzão forte e um piloto babando na gravata de vontade de acelerar. Carro de corrida, ou, montar e guiar um é até mais que ciência. É arte.

Demanda conhecimento teórico e capricho, antes de mais nada. E ferramentas de precisão, claro, pra fazer os ajustes necessários.

Não era bem pra falar de carro de corrida esse post mas sim do já tradicional e sempre agradável encontro dos Antigomobilistas de Interlagos.

Mas olha só o que tava lá:


Um Naja (acho que é esse o nome que deram pra ele. Nunca lembro) de F Vee. Um carro parecido com este que eu andei em Piracicaba.

Mas não é um Naja qualquer. É o que é preparado pelos competentes Rui e Marcelo Carloviche, amigos de longa data. O carro é do Adriano Griecco.

Preparação é tudo num carro de corrida. Mais do que o carro, até. Um carro bem preparado ajuda pacas na hora da pilotagem, do vamuvê na hora agá. A gente não precisa se preocupar com problemas e pode se concentrar só em tirar tudo o que dá pra tirar ou de economizar quando tem que economizar (odeio a expressão "administrar a corrida" - quem administra geralmente só sabe fazer isso mesmo: pilotar Excel).

Então vamos ver alguns detalhes do carro mesmo que o Marcelo queira me matar depois, já que preparador não gosta muito de ensinar nada pra ninguém.

He he he...

A refrigeração

O Vee foi pensado pra não usar capa de ventoinha e ventoinha. Só pra lembrar, ele usa o antigo motor VW refrigerado a ar. Como o carro é pequeno e os cabeçotes ficam pra fora da carenagem, teoricamente nem precisaria da refrigeração forçada. Só que usando ventoinha o controle da temperatura do motor fica bem mais, digamos, seguro.

Como não cabe a capa da ventoinha original no package traseiro, inventaram uma de fibra-de-vidro. É onde está o primeiro segredo do Naja preparado pelos Carloviche. Não vou entrar em detalhes, apesar de saber todos, pra não apanhar mais dia menos dia. Mas tem uns segredinhos nessa ventoinha. Coisa de quem entende de VW a ar e corrida de carro...

Alá ela:

Cheia de pás, a ventoinha. A coisa preta em volta é a capa de fibra.

Foi modificada, claro, na oficina dos Carloviche. As capas dos cilindros, originalmente de metal, foram copiadas em fibra também. Ficaram desse jeito:

Vista da parte de cima da capa dos cilindros esquerdos.

Por baixo ficou com essa aparência.

Além da ventoinha modificada tem uns dutos de ar captados no meio do carro e que auxiliam o escoamento do fluxo de ar quente. Puta sacada, essa.

Alá:

Isso vai mudar de formato.


Refrigeração quase resolvida. O radiador de óleo tá aqui:


Não é o lugar mais adequado pra captar ar frio mas tá funcionando bem. Já tem idéia nova sobre isso. Depois eu conto qual é.

Outra hora mostro mais alguns detalhes desse carro, que já tá andando super bem apesar de ser novo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Expedito, 1985

Atirei no que vi, acertei no que não vi. Ainda bem. Achei esse video incrível de uma matéria feita pelo Reginaldo Leme sobre Formula 1, cujo enfoque foi o acesso à carreira de piloto.

E...

Adivinha em qual curso de pilotagem ele foi gravar?

Ele mesmo: Curso Marazzi de Pilotagem, sob o comando do Expedito.

Demais!

De quebra, imagens de um Formula Vê daqueles de 1974/1975, que eram verdadeiros foguetes.

Alá:



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Desbravando um F Vee

Sem conversinha, vamos logo à segunda parte. Ela vai até eu pedir arrego dando sinalzinho com o dedo de que ia entrar no box. Tava um puta calorão e... pilotar demanda considerável esforço físico e mental:


Claro que os comparsas L.G. e L.O. viram a primeira parte. Óbvio que os e-mails trocados entre a gente já estão gigantes, uma vez que gostamos muito de conversar sobre carros. Inda mais sobre esse, sobre o qual conversamos bastante quando ele ainda era apenas uma idéia e um monte de rabisco numa folha de papel.

Nenhum de nós desenha tão bem quanto a Tatiana mas existem sistemas CAD que traduzem em 3D exatamente o resultado das idéias e dos cálculos.

E... claro que a gente já tá pensando onde e como melhorar o já ótimo carrinho.

Só não sei direito ainda como aplicar o resultado disso.

Será que tenho que voltar a pilotar sem ser de brincadeira outra vez?

O dono do carro, o Sergio, fez várias anotações na minha time sheet. Apontou vários erros de pilotagem. E com razão, acho, já que fazia mais de 15 anos que não pilotava um carro de corrida. E nunca tinha andado na pista do ECPA.

Sobre os erros eu digo que foram pelo motivo de sempre: excesso de ímpeto. Sempre sofrí disso. A vida, essa linda, só tem sentido quando a gente tá com a bunda a poucos centímetros do asfalto quente e a orelha a dois palmos de um muro de concreto na saída de uma curva rápida.

(Não falei sobre tempo de volta e nem vou falar. Nem do meu tempo, nem no do Sergio - dono do carro e nem no do Mig - meu querido e veloz amigo)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Desbravando pista e carro novos

Brasileiro de modo geral tem bastante dinheiro. Tanto, que o automobilismo de competição se baseia em categorias onde correm carros sofisticados e caros como a GT Brasil onde se digladiam Lamborghinis, Ferraris e Corvettes, Stock Car, com seus chassis vestidos com bolhas de duas ou três marcas diferentes, Brasileiro de Marcas onde correm todos com o mesmo motor Berta feito na Argentina (bizarro, isso). Mesmo no restrito campeonato paulista, que abriga um campeonato onde correm carros antigos, a preparação de um, digamos Passat antigo não custa barato e o custo por prova também não é algo que torne o esporte acessível a praticantes de kart indoor, por exemplo.

Nesse cenário surgiu a idéia de reviver a antiga Formula Vê, que foi sucesso no fim dos anos 60 e no meio dos anos 70 no Brasil, e é até hoje no mundo todo, com campeonatos para carros modernos e vintage ultra disputados com carros baratos, bons de guiar e competitivos.

Ainda não vai ser agora que vou contar o começo de verdade da categoria, enquanto era criada a massa crítica de mentes pensantes em conversas nos boxes de interlagos.

Vamos direto ao produto final. O Formula Vee Brazil. Bastante gente já teve contato com o carro e inclusive já o testou ou mesmo corre, já.

Mas eu não.

E daí?

E daí que participei da criação da massa crítica inicial e do projeto do carro. Devo ter ainda em algum lugar alguns desenhos em CAD e cálculos do projeto.

Devo ter sido o segundo ou terceiro cara a ter sentado dentro do mockup feito de tubos de plástico montado na sala da casa da mãe de um dos projetistas do time inicial.

(O time de projetistas inicial foi substituído por outro mas isso não vem ao caso, mais)

E... ontem, andei com o carro pela primeira vez. E pela primeira vez andei na pista do ECPA em Piracicaba, que conhecia há muito tempo, desde que era de terra, mas nunca tinha andado.

Alá o on board, acho que do segundo stint (partes 1 e 2):


(Não tô achando a segunda parte. Depois eu arrumo isso)