segunda-feira, 18 de março de 2013

"Puta lazarêinta!"

Inaugurando um setor novo: crônica. Mas, peraí! Já tem crônica aqui. É, já tem. Inclusive  crônicas escritas por outras pessoas.

Bom, então não tem setor novo nenhum.

É. Então não tem.

Mas não faz mal, que esse texto tá bem escrito, é divertido, é verídico e...


"Conhecer gente pela internet e depois encontrar na vida real parece ser um medo da maioria das pessoas que se relaciona com o mundo virtual de alguma forma ou que, pelo menos, lê jornal de vez em quando (alguém ainda lê jornal? Enfim... )

Entre tantas histórias de tragédias, vou engrossar o coro com uma tragédia pessoal. 

Lá pelos idos de não-sei-quando, ainda em tempos de Orkut (onde eu era uma militante ativíssima das comunidades, diga-se), conheci um sujeito morador de Suzano –SP, que até hoje não sei onde fica. Policial civil mas com uma cara tão inofensiva quanto a de um filhote de canguru. Ele tinha os olhos esverdeados e a pele morena, o que na época era um fraco meu... e logicamente fez o moço parecer interessante. Eu e essas minhas nóias que só me fodem. 

Conversamos por MSN bem uns 2 meses... ele era engraçado, tinha cada tirada q me arrancava gargalhadas na frente do computador.. patético, ok.. mas humor chega a ser diferencial MESMO, porque não é todo mundo que tem essa sagacidade do timing certo de uma conversa bem humorada (desse mal você não morre, Irineu). Um dia me deu um tilt e resolvi ir pra São Paulo-capital pra conhecer o dito cujo. Na época morava no interior sul do RJ, o que me renderia umas cinco horas dentro de um Cometão rumo à rodoviária do Tietê. Lindo isso. 

Inventei uma desculpa qualquer em casa que fosse um bom álibi pra me dar o dia inteiro de ausência e parti rumo à Cidade Maravilhosa paulistana, só que não. 

Chegando na rodoviária do Tietê, catei um canto pra sentar e fiz uma ligação pra dizer que já tinha chegado e dar minha localização. Tive a oportunidade de observar a multidão por bons 10 minutos, vendo todo tipo de figura que circula por ali. Casais se encontrando, retirantes indo ou chegando do Nordeste (coisa que já vivi tbm..rs.. mas é papo pra outra hora), gente estudando, gente dormindo, e gente caminhando com flores na mão. 

Firmei o olho em um cara que vinha ao longe, bem alto e magro, com uma camisa listrada no melhor estilo “cor sim, cor não”, meio saltitante, com um sorriso débil no rosto, uma calça jeans quaaase pescando siri – as pernas eram bem compridas, devia ser difícil pra ele comprar calça – e um tênis que faço questão de não lembrar como era. 

Legal ver alguém feliz na multidão, né? 

Não. 

Ele tinha algo na mão.

O que será? 

Ah, uma cestinha de vime com flores. 




Já trabalhei em floricultura. Vi que era uma begônia (a plantinha mais clichê do Sistema Solar, perdendo só para as violetas e os Kalanchoês – e puta merda, me dá raiva só de lembrar)  vermelha, dentro da bela(!) cestinha de vime, com um baita frufru no alto. 

É... algumas mulheres adoram receber flores. Que legal, love is in the air. Certeza que não é pra mim… não tenho namorado nem ficaria deslumbrada com essa frozinha. 

Mas era. 

O cara estiloso estava vindo na minha direção. 

O saltito era pra mim, o sorriso débil talvez fosse pela alegria do encontro COMIGO e as begônias também eram pra mim, bem como aquele modelito pensado desde quando falei que viria. Céus !

Oi, oi. Presente pra você. Ai, que fofo.. obrigada!  (fofo é muito ruim. E eu sou bem escrota, tem hora). E aí, pra onde vamos? Ah, não sei, você é meu anfitrião.. to contigo. Ta, então já que você gosta muito de natureza, vou te levar pra um lugar que você vai adorar. Massa!! 

Entrei no carro, não conheço lhufas de São Paulo. Andamos, andamos, paramos, descemos e começamos a andar num lugar bonito, arborizado, com umas lagoas, bastante gente, criancinhas, algodão doce, pipoca e artistas performáticos no meio da multidão. 

Sentamos num gramado na beira de um lago menor do que o que parecia ser o principal e ficamos observando os patinhos ou marrecos ou sei lá o que. Papo vai, papo vem, “ah, você já tinha vindo aqui? Não, tinha não... Então agora você já pode dizer que conhece o Parque do Ibirapuera. 

Ok, produção ! É isso mesmo? 

Tudo massa, tudo legal, eu praticando fortemente o princípio de buscar o melhor em cada situação da vida, vamulá.. Ele só quis te agradar, seja agradável. Respira. 

Nossa, que legal.. esse parque é bem famoso, né? 

É, eu já conheço o  famoso ‘Ibira’ e o banheiro da rodoviária do Tietê ganhou um enfeite naquele dia.

Lola Bunny"

Lola Bunny é uma pessoa que se pode amar de vez em quando.


Não. Fala que a Lola Bunny escreve sob efeito de substancias psicotrópicas pra contar historias das quais não lembraria estando careta... Ou se lembrasse, não contaria pra não dar cartucho pra futuras zoações.

Lola Bunny se preserva. Às vezes.

Seja como for, Lola Bunny tem personalidade e estilo.


Update: Lola Bunny já foi informada sobre Suzano, Poá e Ferraz de Vasconcelos.