quarta-feira, 31 de agosto de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Pilotagem, mas do meu jeito III


"Quantos dedos tem aqui?"
"Shhhhhheix? Shhhhhhhhum? Poha! Shhhhhheu te conshidero pra caralho! Me deisha voltar pra corrida!"

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

De Kombi em Mauá

Tenho um monte de amigos. A maioria sem muita noção e sem muito bom senso. Um deles é o M. Tripoli, empresário.

Dentre outras atividades, ele já teve empresa de transporte (outra boa história que um dia eu conto) e... uma fábrica de vassouras.

Hoje a história é sobre Kombi e fábrica de vassouras.

Um dia passa o Tripoli em casa à bordo de uma Kombi lotada de vassouras de piaçava pra fazer uma entrega em Mauá (perifa de Sampa). Perguntou se eu não queria ir junto.

Por que não?

A Kombi era assim:

Dalmata? Não. Kombi.

Mauá é longe da zona sul de Sampa. Bem longe.

Entrega feita, caminho de volta.

Comando policial.

Preciso dizer que a merda tava feita?

"Documentos da Kombi, por favor", disse o policial.

"Pois não", respondeu o Tripoli, entregando os documentos. Inacreditavelmente, em dia.

"Vou ter que apreender o veículo. A cor predominante que consta do documento é bege e... só o teto do veículo é bege."

Ai meu saco.

Sem muita grana no bolso, em Mauá (Mauá é longe pra caramba, já disse) e vislumbrando a possibilidade de voltar à pé.

Não aguentei.

"Seu guarda, pega aí os documentos em garantia. Eu dou um jeito", disse eu, sem paciência.

"Como?"

"Se a gente voltar aqui no comando com a Kombi numa cor só o senhor devolve os documentos?"

Com um sorrisinho maroto, "Devolvo sim".

Assumí o controle da balada e a direção da Kombi. O Tripoli falando um monte e eu dirigindo. Só dirigindo.

Entrei na primeira oficina de funilaria e pintura que ví. Tinha um pintor dentro dela, pintando um carro (que novidade...).

"Quanto cê quer pra me emprestar o revolver de pintura com tinta bege dentro?" Perguntei abrindo a porta da Kombi.

"Quê?"

Resumindo, por 50 dinheiros o cara me emprestou alugou o revolver de pintura com 400 ml de tinta bege.

Pintei a Kombi. Tudo que não era bege, ficou bege na marra.

Eu nunca tinha pintado um carro antes.

He he he...

"Toca pro comando", disse eu pro Tripoli.

O guarda, incrédulo, nos devolveu o documento da Kombi.

"Não fala nada até me deixar em casa", avisei pro Tripoli.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

domingo, 14 de agosto de 2011

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Faz um tempinho, nesse post aqui, eu botei um link para um clip da Nina Hagen fazendo "Ich weiss es wird einmal ein wunder geschehn" com uma pegada punk, que tinha sido feito pela Zarah Leander há muito tempo. E tinha me comprometido a postar a mesma música, com arranjo da época da WWII.

Só que achei um video da Frau Leander cuja qualidade é muito melhor .

Que Édith Piaf o caramba!

Alá!



DAVON GEHT DIE WELT NICHT UNTER
Wenn mal mein Herz unglücklich liebt 
ist es vor Kummer unsagbar betrübt
dann denk ich immer ach alles ist aus 
ich bin so allein

Wo ist ein Mensch der mich versteht 
so hab ich manchmal vor Sehnsucht gefleht 
ja, aber dann gewöhnt ich mich dran 
und ich sah es ein

Davon geht die Welt nicht unter
sieht man sie manchmal auch grau
einmal wird sie wieder bunter
einmal wird sie wieder himmelblau
gehts mal drüber und mal drunter
wenn uns der Schädel auch raucht
davon geht die Welt nicht unter
die wird ja noch gebraucht
davon geht die Welt nicht unter
die wird ja noch gebraucht

Geht dir einmal alles verkehrt
scheint dir das Leben dann gar nichts mehr wert 
dann laß dir sagen
das ist zu ertragen
ja hör auf mich

Denkst du einmal
ich kann nicht mehr
kommen auch Stunden so glücklos und schwer 
ach jedes Leid das heilt mit der Zeit 
darum sing wie ich

Davon geht die Welt nicht unter
sieht man sie manchmal auch grau
einmal wird sie wieder bunter
einmal wird sie wieder himmelblau
gehts mal drüber und mal drunter
wenn uns der Schädel auch raucht
davon geht die Welt nicht unter
die wird ja noch gebraucht
davon geht die Welt nicht unter
die wird ja noch gebraucht

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

GTS quente!

Eu tenho um Puma. É esse aí que fica no BG do blog. Ele é bonito. Bonito e anda bem, pra um carro de 31 anos que teve mais de 15 donos na sua vida sofrida. Mas não é a história desse Puma que vai inaugurar finalmente esta seção do Overtaking Is Fun.

(Se bem que esse Puma aí do BG já passeou em Interlagos e fez alguns overtakes espetaculares em carros bem mais modernos e mal dirigidos - não usam o Chi, tomam por dentro e por fora em quase qualquer curva.)

Sou presidente do Puma Clube de Sampa, condição que não divulgo amiúde, muito menos "agraúde". Por conta disso tenho contato com muitos donos desse carrinho lindo.

Sempre me procuram pra encher o saco pra perguntar sobre questões de originalidade (que eu repasso pro Felipe Nicoliello, que é O CARA quando o assunto é Puma) ou pra perguntar como faz pro Puma (VW só, hein! Puma com motor de Opala eu não curto muito) andar mais.

Um que me procurou foi o Marcos Homem, aka Hombre, de Goiânia. Ele tem dois carrinhos lindos na garagem.

Como meu Puma é, digamos, mais ardido que o normal e como gosto muito de motor refrigerado a ar fuçado, acabo virando fonte de consulta pra quem gosta também de fazer esses brinquedinhos urrarem através de carburadores Weber grandes.

Pois conversamos bastante ao vivo, por e-mail e telefone sobre a preparação (insana) de um dos carros dele, que é esse aqui:



Esse carro foi objeto de matéria na revista Super Speed (pag 28), e melhor do que eu ficar falando e falando, alá o link: Revista Super Speed

sábado, 6 de agosto de 2011

Franchi, Tatiana


Vez em quando a cena vira pavilhão nove e tem treta na rua dez. Inevitável, quando os ladrões não se acertam. Pra continuar vivo, se der tempo, melhor coisa é pinote.

Mesmo que o pinote seja de moto e a temperatura esteja em 7°C.

Vez em quando tem-se que escolher o jeito de morrer. Escolhí morrer de frio.

Mas...

Apaziguô.

Ainda bem!

Olha só o que eu nem ia saber que existia se deixasse a treta continuar:










...e a treta começou por causa dessa luvinha...


Alá a galeria dela no Flickr.



Glossário desse post:

Pavilhão nove - pavilhão nove (Carandirú)
Treta - entrevero, discussão
Rua dez - corredor estratégicamente posicionado nos pavilhões do presídio do Carandirú, usado para acerto de contas, brigas sérias e mortes
Ladrão - ladrão. Modo como os presidiários se tratam também
Pinote - fuga
Apaziguar - terminar uma treta. A bom termo

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

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Fazia tempo que não botava som na caixa. Esse é bom.



Mil Milhas, do pior jeito possível


Antes do Antonio Hermann* comprar os direitos das Mil Milhas, todo mundo queria fazer. E podia! A última edição foi absolutamente aviadada. Não tinha um fusca inscrito!

Onde já se viu Mil Milhas sem fusca andando?



Eu tive a sorte de me juntar a outros dois malucos e fazer uma Mil Milhas.

A gente tinha um Passat preparado segundo o regulamento da antiga Turismo N (hoje parte do Campeonato Paulista de Marcas), que era usado numa escola de pilotagem como carro de instrução.

Tinhamos comprado o carro de um piloto de relativo sucesso, só que sem o motor original e sem peças importantes da suspensão. Justamente o que fazia o carro andar bem.

Só isso.

Esse não é o nosso, mas a muvuca foi parecida.

Mas montamos o carro do melhor jeito que pudemos e... tínhamos um carro de corrida, afinal.

Daí a inscrevê-lo numa edição das Mil Milhas foi só questão de tomar duas ou três cervejas a mais do que o usual.

Decididos que estávamos, começamos a preparar o carro. Carburador emprestado, peças consumíveis novas (cabos, velas, tampas, óleos, pastilhas e lonas de freio, etc), uma boa afinada no motor, alinhamento bem feito e...

Pista!

Participamos de todos os treinos possíveis e sempre sem pensar muito no carro. O objetivo era sempre andar mais rápido que os companheiros.

Detonamos, claro, todos os jogos de pneus que tínhamos. De embrulho também foi a embreagem. Os freios também. Pra embreagem nova não tinha grana. Pros freios, tinha.

E pros pneus?

Isso era problema pra mais adiante.

Fomos recrutando equipamentos e gente pra nos auxiliar durante as quase 12 horas de prova, à noite. Irmã e cunhado se encarregaram do rango (geladeiras, bebidas e comidas - eles "patrocinaram" isso). Primo e amigos se encarregaram do reabastecimento (descolaram torre, extintores de incêndio e roupagem adequada). Amigos de amigos se encarregaram de contratar alguns mecânicos e supervisionaram os trabalhos no box.

No dia D a gente não tinha mais pneus, como eu disse.

A gente dividiu box com a equipe da Hyunday, que competiu com dois carros de rua, só montados com o equipamento de segurança obrigatório. Eles ficaram com pena e nos cederam quatro pneus novos (ótimos, por sinal). Era o que a gente tinha pra fazer 12 horas de prova: quatro pneus.

Tinha que chover, então.

Na chuva os pneus gastam bem menos.

Resolvido isso, quem faria a largada?

Nem tinha o que pensar. Eu, lógico! Só que eu não ia tirar o carro do box, chegando a hora do pré alinhamento já, enquanto minha irmã "da sorte" não chegasse.

Puta muvuca, barulho de motor sendo ligado, agitação febril e... nada da minha irmã chegar.

A mãe de um dos meus companheiros-pilotos, psiquiatra, veio falar comigo.

"Mas a gente tá aquí e a tua irmã vai chegar! Pode botar o carro na pista!"

"(Nem fudendo!) Prefiro esperar minha irmã."

"O box fecha e você tem que largar dele."

"(Que se foda) Prefiro esperar minha irmã."

"Vai, caralho!" (Um dos companheiros-pilotos).

A irmã, esbaforida, atrasada como sempre, aparece na janela do Passat. Ignição on, bomba de gasolina on, start.

Pláplápláplápláplá

Sempre gostei do barulho de motor feito pra pista. Marcha lenta embaralhando por causa da mistura rica de combustível mais comando de válvulas mais agressivo e mais escapamento dimensionado fazem música muito mais legal do que o mais energético devaneio musical do Robert Fripp.

Já há algumas edições a largada das Mil Milhas vinha sendo feita com os carros andando, à lá Indy 500.
Nada assustador, já que o que pega mesmo é largar parado.

Como tínhamos classificado o carro, que não era lá muito rápido já que tinha motor quase original, no fundo do grid, não tinha muito com que me preocupar.

Aliás, os outros é que tinham que se preocupar comigo. Afinal, quem é que fiscaliza largada lançada direito?
Como eu disse, larguei no fundão do grid e optei por começar a acelerar já na saída da curva da Junção, passando um monte de gente. Iam me passar mesmo outra vez...

Como eu já disse também, destruímos o carro nos treinos tentando ser mais rápidos uns que os outros. Não por acaso, depois de meia hora de prova a temperatura da água começou a subir. Fui aliviando o ritmo até achar um ponto em que a temperatura não subia e o carro não era tão lento assim, virando na casa dos dois minutos e vinte segundos.

Confortável que estava, não me preocupei com o ritmo dos outros carros porque sabia que mais gente teria problemas também. Não deixando a temperatura passar dos 100°C, o carro ia até o fim. Ou perto disso.

Quase no fim do meu stint começou a chover. Os pneus emprestados se pagaram nessa hora. Eram radiais de carro de rua recém lançados e com um desenho na banda de rodagem que proporcionava boa drenagem. O Passat tava ótimo na chuva. A temperatura da água abaixou, tinha bom grip e o tempo de volta não abaixou quase nada. Se chovesse até o fim da corrida estaríamos muito bem, se o carro não parasse. Os carros mais potentes, equipados com pneus slick, não permitiam a seus pilotos cruzar as retas com o acelerador a fundo. O risco de aquaplanar é grande nessa situação e tinha ainda muita corrida pela frente.

Enquanto isso, a namorada de um dos companheiros-pilotos, que ficou encarregada de fazer a comunicação do box com o carro via placa, me mostrava insistentemente o sinal "P +". Pra mim, era que eu tava subindo de posição na corrida. Mais tarde ela me disse, do alto da sua sabedoria (que nem supunha que o carro já tava com a junta de cabeçote queimada), que era pra eu pisar mais.

He he he

Cabô meu stint e vou pro box. Berrei pro companheiro-piloto que ia assumir que tinha junta de cabeçote queimada e que a embreagem tava começando a patinar.

Os mecas botaram mais água no radiador e mais óleo no cárter enquanto meu primo reabastecia (naquela época podia reabastecer junto com outros serviços no carro). Ajudei o companheiro-piloto a atar o cinto (nele eu confiava) e... carro na pista outra vez.

Esse companheiro-piloto, o Luis Felipe Paone Calmon, é um PUTA piloto. Daqueles que nasce bom, já.
Tem um puta domínio do carro. Sabe o que tá fazendo na direção. Sempre é mais rápido que os carros que pilota. Por isso faz cagada de vez em quando. Mas a culpa é sempre dos carros menos rápidos que ele.

Sabedor da situação do carro, voltou pra pista debaixo de um puta aguaceiro, que pra ele não queria dizer muita coisa. Por alguns momentos éramos o carro mais rápido da pista.

Mais um tanque de álcool gasto, mais uma parada. Mais água no radiador, mais óleo no cárter, aviso ao outro companheiro-piloto de que a temperatura devia ser mantida dentro do razoável e que a embreagem estava patinando.

Apaixonados desde sempre por pilotagem, eu e Luis Felipe passamos a trocar impressões sobre o carro, a pista e a corrida, animados com o fato de sentirmos que o carro poderia ir até o fim da prova mesmo com a junta queimada e quase sem embreagem. Nós não precisamos do pedal da esquerda pra guiar. Sabemos trocar de marcha respeitando o tempo certo do câmbio.

Eis que o terceiro companheiro-piloto entra no box depois de apenas uma volta com a alavanca do câmbio na mão.

Surtei.

Queria tirar o cara a tapa de dentro do carro.

Queria enfiar a alavanca...

"Cêis falaram que a embreagem tava patinando e eu quis testar..."

Óbvio que nem deixei o cara terminar a frase.

Óbvio também que fui carregado dalí pra outro lugar, bem longe.

Por mim, fim da corrida depois de 3 horas quase.

Mais calmo, eu e Luis Felipe abandonamos nosso box (e minha irmã, cunhado, primo, amigos, ajudantes), andando vagarosamente pela frente dos boxes e... até felizes. Mandamos bem nos nossos stints. Tava bom, já.

Nos avisaram que tava tendo uma festa no último andar da torre de cronometragem.

"Vamos lá?" Perguntei.

"É..." Respondeu LF, dando de ombros. Não tínhamos muito mais o que fazer.

Não me fiz de rogado e já comecei a derrubar latas de cerveja. LF na coca cola.

Já meio bêbado, entra na festa um dos nossos ajudantes falando pra irmos correndo pro box, que o carro tava quase pronto.

"Pronto como?!"

"Fui até a oficina e peguei outra caixa de câmbio. Já trocamos e já vão ligar o motor. Corre lá!"

Uau!

Não tinha marcha a ré nessa caixa, me disseram. Não podia rodar de jeito nenhum. Não dava pra manobrar o carro também. Mas quem é que liga pra isso depois de tomar cerveja?

Pista outra vez!

Meio seca, meio molhada. Só o trilho por onde passavam os carros é que tava seco. Isso é um inferno. Pra quem tem que sair do trilho seco, né? Pra gente que tava com um carro de motor pequeno a recomendação era não sair do traçado, que sempre é ônus do cara que vem mais rápido pra ultrapassar.

Bom, isso.

Minha diversão passou a ser a procura da única menina que tava inscrita na prova. Ela tava à bordo de um Opala vermelho. Tinha dois Opalas vermelhos inscritos e ainda andando.

Mas era fácil saber qual era o dela.

Carro de corrida tem suspensão dura e "sente" até tampa de garrafa de cerveja (refrigerante, vai), devolvendo bruscamente e aos pulos a deformação elástica sofrida pelas molas. Em descompasso, pois, com a malemolência dos peitos femininos.

Então o Opala vermelho cujos peitos pulavam, era o da menina.

Esse Opala não é vermelho. Não emboco uma foto certa.

Minha outra diversão passou a ser procurar amigos que também estavam correndo para ajudá-los facilitando as ultrapassagens e dificultando as dos "inimigos" das mesmas categorias.

Daí em diante optamos por stints mais longos.

Num dos reabastecimentos deu merda. O primo esqueceu de fechar a viseira do capacete e quando o tanque encheu, deu refluxo. Bem "nas vista" dele. Tooooca desfalcar o time bem no meio da corrida! Irmã, cunhado e primo a caminho de um pronto socorro pra ver se salvava alguma coisa.

Naquela época já não podia fumar nos boxes. E era só o que faltava: pegar fogo no circo.

Mais um stint pro LF, com chão seco, mais pro outro companheiro-piloto, que iria terminar a corrida e receber a bandeirada.

Não tem muito o que falar sobre a corrida daí em diante, já que depois de certo tempo os carros (equipes/pilotos) se acomodam nas posições em que estão e assim seguem até o fim, sem arriscar quebrar nada.

E foi o que fizemos, levando inacreditavelmente o carro até o fim.

Legal mesmo foi o fim da feira.

Todos se cumprimentando pelo carro ter cruzado a linha de chegada andando com junta de cabeçote queimada e tudo, um escapulindo de fininho, mais outro e mais outro até que...

Sobramos eu, toneladas de peças, ferramentas e tralhas. E o Passat de corrida.

Não adiantava espernear. Tive que fazer caber toda a tralha, câmbio quebrado inclusive, dentro do Passat e... ir com ele pra casa.

Sozinho.

Em casa, horas e horas depois, ainda sozinho, ainda de macacão, tava eu descarregando o Passat, guardando peças e ferramentas nos seus lugares outra vez e limpando o interior do carro por conta do óleo (fedorentíssimo) do câmbio quebrado que vazou.

Pra quem acha que é maravilhoso andar em prova longa, é bom considerar que carro de corrida não tem revestimento térmico e muito menos acústico e ainda por cima não é vedado, ou seja, entra água dentro (bastante água) quando chove.

A chapa de aço que separa o cockpit do habitáculo do motor esquenta. E esquenta muito! É muito quente dentro do cockpit e portanto sua-se muito. Sentar no carro logo em seguida de um cara ter pilotado por uma hora e meia, suando, não é nada agradável. Sem contar que não tem essa de parar pra fazer xixí. Faz-se no carro mesmo, no macacão e no banco. Ninguém percebe por conta do cheiro do carro, uma mistura deliciosa dos cheiros de borracha, álcool, óleo e graxa que acaba encobrindo os outros cheiros. Mesmo não fazendo xixí o macacão fica encharcado de suor.

No assoalho da maioria dos carros tem uns furos tapados por borrachas. É normal tirar as borrachas pra água não empoçar, já que não se usa vidro nas janelas das portas por força do regulamento. É passar em poça d´água que imediatamente surgem geysers de água gelada que chegam a espirrar no teto.

Me convidam até hoje pra participar de prova longa e acham que sou mal educado por rosnar agressivamente um não, nem fodendo.

Burro que sou, ainda participei de mais algumas provas longas de carro e kart. Na verdade ainda participo, se me chamarem. Mas nunca mais com carros ou karts meus.

Alguém aí sabe de algum time desfalcado precisando de piloto pra prova longa?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Treinos e histórias


Segunda-feira que segue domingo de corrida é um dia legal pra ir pra Interlagos. Eu costumava ir quando tinha aula na pista às segundas-feiras.

Nessa época tinha curso de fórmula e eu e mais um cara eramos os instrutores desse tipo de carro.

Os carros não eram da escola mas sim de um preparador que os cedia e, não por coincidência, era o preparador da maior parte dos carros da categoria. Eram carros da Fórmula São Paulo, nos seus primórdios.

Todos evoluídos do buguinho fabricado pela Glaspac (agora conhecidos como Formula Alpie), que correram na F Ford na década de 80.

Esses carros tinham side pod e assoalho de madeira, tornando-os algo diferentes dos buguinhos originais.
Usavamos os próprios carros de corrida nas aulas. Tanto os instrutores como os alunos. Fiz bastante "hora de voo" neles e tinha a mão pra guiá-los.

Tanto que era chamado de vez em quando pra fazer algum teste de desenvolvimento de peças, componentes ou acerto novos.

Numa segunda-feira tava eu de bobeira nos boxes depois da aula regular na pista, quando fui chamado pelo preparador dos carros pra passar um carburador novo, preparado pelo Dragão, e que equipara um F Ford da década de 80 (estávamos na década de 90).

Esse carburador tava montado no F SP que tinha ganho a corrida no dia anterior.

Só que o preparador me pegou desprevinido. Não tinha levado minha tralha pra pista. Mas como sempre é bom sentar a bunda num carro de corridas, me mexí pra descolar capacete, macacão, luvas e sapatilhas emprestados.

"Cê revisou o carro hoje? Ontem ele deu quantas voltas?" perguntei eu, prudentemente.

"Senta aí que tá tudo certo." disse o preparador.

Então tá, né?

Motor ligado, aquecido, vamos pra pista.

Eu, que não sou bobo, dei duas voltas acima do limite pra ter certeza de que tava tudo certo.

Parei pra reclamar da imprecisão do carro na hora de inserí-lo em curva e da enorme falta de torque em giros úteis (no motor daquele carro, um CHT preparado, a faixa útil ficava entre 4.500 e 7.200 rpm).

O preparador ficou meio puto, disse que tava tudo certo e que era pra não usar a quarta marcha, então. Que esticasse a segunda e a terceira até aparecer o torque. Era JUSTAMENTE pra fazer isso que o carro tava na pista e eu guiando.

Então tá, né?

Pista outra vez.

Agora, sem dó nem piedade. Reta oposta inteira feita em terceira. O motor só "acordava" acima de 6.000 rpm.

Como era o carro que tinha ganho a corrida no dia anterior e a gente sabia quanto ele tinha virado, o objetivo era tentar virar mais rápido, o que não era pouca merda porque o dono do carro era bom.

Foi então que a entrada da curva do Lago chegou mais uma vez. Devia ser a quarta ou quinta volta desde que mandaram socar o pé. Terminei a freada e apontei o carro. A traseira flutuou e abortei o procedimento: aliviei mínimamente o pé direito (tirar duma vez é pedir pra rodar) e contra estercei um pouquinho. A traseira firmou, tinha a zebra toda ainda pra alargar a trajetória e reacelerei. Imediatamente a traseira flutuou outra vez.

Aí não teve jeito. O carro entrou de ré na área de escape entre Lago 1 e Lago 2. Naquela época era brita e não asfalto. Aterrisei de ré, a traseira enterrou na brita, a frente subiu, o carro girou no seu eixo longitudinal com as rodas no ar e finalmente caiu com o assoalho inteiro apoiado na brita.

Desliguei a chave geral e esperei a poeira baixar. Tinha brita dentro do cockpit até a altura da minha cintura.

Fui jogando brita fora enquanto o resgate não chegava.

Não preciso dizer que empastelei o macacão, a sapatilha, a luva e o capacete emprestados...

Descí pra ver o estrago: assoalho partido em 3 partes, cano de escape amassado e... nada mais.

O resgate me rebocou pro box.

Chegando lá, várias pessoas de cara feia incluindo o dono do carro olhavam na minha direção. O vôo deve ter sido um show (de horror). Quando tem pouco carro na pista todo mundo fica na cerca do paddock. E nessa hora só eu tava andando...

Abstraímos todos o estado lamentável em que o carro estava e fomos conversar sobre o carburador preparado pelo Dragão.

Relatei minhas impressões, dizendo que não tinha torque nenhum abaixo de 5.000 rpm e que não dava pra andar com ele. Eu achei que tinha veturis grandes demais.

Apenas minha opinião.

Estimei que o carro não viraria abaixo de 1' 54" com aquele carburador e iniciou-se discussão a respeito. O dono do carro recuperou os dados do PI (espécie de computador de bordo que acumula dados de vários sensores instalados e também os tempos de três parciais da pista). Somados os tempos das melhores parciais veio o 1' 54" (a melhor volta tinha sido 1' 54" 9).

Finda a discussão sobre a carburação, procurei saber porque é que a traseira tinha escapado tão bruscamente por duas vezes (a segunda, incontrolável). Balançando todas as rodas ví que os pivôs da suspensão traseira direita estavam soltos, fazendo variar a cambagem dessa roda em mais de 3 graus. Tavam explicados o vôo e a aterissagem de mau jeito.