terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Nascar, 1960


Mais de vinte carros envolvidos, ninguém seriamente ferido, nenhum incêndio. Nada de macacão anti-chamas, capacetes precários. HANS e bancos bem desenhados, nem pensar. Rollcages toscamente construídos e... Lady Luck.

Mas Lady Luck se aposentou e em seguida morreu. Sobrou pros engenheiros desenharem sistemas que a substituíram, em parte.

Terráqueo, aéreo ou aquático?

Frame de tubo retangular aplicado a um chassis VW. Seria o quê? Eu, no lugar de vocês, acompanharia os próximos capítulos.




Basta um

Depois de um tempo sendo donas de carros antigos, algumas pessoas começam a pensar se tem sentido ter alguns ou montes deles na garagem. Primeiro porque não deixa de ser um transtorno cuidar da frota, por menor que seja. Depois, no caso do antigomobilista ser também adepto da condução esportiva, não é conveniente meter o sarrafo num carro que fica parado muito tempo justamente por causa da manutenção prévia a ser dispensada antes que se lhe exija dele o máximo desempenho possível.

Mas sempre sobra a dúvida de escolher "O" carro definitivo. Aquele que realmente apaixona e que serve pra tudo, desde andar na rua até participar de corridas de carros vintage ou track days.

Só que um carro desse vai requerer manutenção muito cuidadosa e eventualmente algumas modificações.

Pra um entusiasta de verdade, daqueles que tem oficina de mediana a bem equipada em casa, não é problema, isso.

O atento L.O. me mandou o video a seguir que confirma a viabilidade da tese do carro entusiástico que serve pra tudo. Desconfio que ele, adepto dos carros alemães feitos na Bavaria, vai a qualquer momento virar a casaca por causa de um feito em Stuttgart.

Eu viraria fácil, a casaca.

Alá o que o Jack Olsen (parente do Jimmy Olsen, talvez?) diz:

video

Páteo do Marazzi

Antigomobilista desde sempre, o Gabriel Marazzi, que já faz os famosos churrascos (que eu furo constante e infelizmente) inova ao fazer um evento novo, reunindo amigos, carros e motos antigos lá na laje dele.

Eu vou, até porque Pumas são bem vindos. Mais alguém?




quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Claudio Ceregatti, race car driver

Só quem conhece o Commendatore é que pode atestar a extrema distância que existe entre sua aparência de senhor comportado e a reativada verve de race car driver.

Essa foto não lhe faz justiça. Sua franja é
 maravilhosa e esvoaçante.

Aos 55 anos continua coletando dados e transformando-os em gráficos comparativos de seu desempenho na pista, o que é legal. Ele sabe de onde vem cada décimo de segundo de sua evolução como piloto.

Além do mais, fala e escreve pra caralho compulsivamente. Muito bem, até, pra um engenheiro.

He he he...

E registra suas corridas com a precisão que qualquer fã de corrida de carro gostaria de ver.

No blog do competente Mestre Joca tem o relato da última. Vale cada minuto da (longa) visita.





Bonecas

Não, nada que ver com GLS. Bonecas de massa fimo. Caricaturas. Caricaturas legais.

Alá:


Quem faz é a Tatiana.

Muito legais, aliás. 

Funciona assim: tem que falar com ela que ela faz a caricatura. Fica assim:






Esses aí tão com os donos, menos a Amy.

Tem página no pokerfacebookmaker.


Nein, nein, nein!


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Fanáticos na estrada

Neste sábado, logo cedo, botaremos nossos Pumas na estrada. O destino é o quilometro 56 da Rodovia dos Bandeirantes, onde tem um posto Graal (aquele dA Busca Dos Óculos De Graal do Derico Sciotti, onde ele narra a saga de Ocú).

O meeting point é no posto Shell da Marginal Pinheiros logo em seguida da ponte da Cidade Universitária, às 09:00h.

Passats, Corcéis, Wartburgs e Gurgéis são bem vindos também.

JPS, 1973

Em 1972 um paulista faturou o campeonato mundial de pilotos. Um paulista da zona oeste. Mas isso não faz a menor diferença. Em 1973 sua equipe entrou no campeonato com chance de ganhar outra vez. Dois pilotos de bom nível, ótimo carro, bom patrocínio - carro de corrida queima muito mais grana do que gasolina, e um gênio projetando e outro gerindo a bagaça toda.

Desnecessário dizer os nomes, mas vá lá, Emerson Fittipaldi, Ronnie Peterson, Anthony Colin Bruce Chapman, Ralph Bellamy e Lotus Cars. Os caras certos, no lugar certo, na hora certa e com grana no bolso. Uma receita infalível.

Só que não deu certo. Uns carros azuis de um inglês dentuço guiados por um vesgo e um tipo bonitão estragaram a brincadeira.

Mas isso é história, já, e todo mundo conhece.

Só que fuçando aqui e ali, tropeço neste documentário espetacular sobre a temporada de Formula 1 de 1973. Uma hora de duração e vale cada minuto.

Alá:


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Buzinaço!


Podia ter ido pra Interlagos ver 500 milhas de moto. Podia ter dormido até mais tarde. Podia simplesmente não ter feito nada já que a previsão do tempo não era animadora.

Mas fui até a praça Charles Miller apoiar a manifestação pela paz do agora sem-moto (e sem-scooter, que tá tudo comigo) Tite.

Não podia ter feito nada melhor, que ele tem razão. 

Alá o motivo, explicado pelo próprio Tite:

"Em primeiro lugar queria agradecer a todos pela presença a este encontro que tem por objetivo chamar a atenção das autoridades para o elevado número de roubos e assaltos vitimando motociclistas.

Sempre que uma moto é roubada a única vítima que perde dinheiro é o cidadão. O Estado não perde dinheiro porque todos os impostos que incidem sobre o veículo na produção e comercialização já foram pagos pelo contribuinte e eles devolvem apenas parte do IPVA, proporcional ao tempo de uso do veículo. O Município também não perde dinheiro porque as taxas de circulação e comércio já foram pagas. O sistema financeiro não perde dinheiro porque a dívida com o banco precisa ser honrada mesmo se a moto for roubada. A fábrica não perde dinheiro porque a moto já estava faturada para o concessionário e até tem lucro, pois vai vender mais uma. A rede de concessionários também não perde dinheiro porque a moto foi paga pelo proprietário ou pelo banco e também terá de repor essa moto roubada. As polícias não perdem dinheiro, porque não há um sistema de remuneração pela eficiência. As seguradoras não perdem dinheiro porque os valores praticados no Brasil já são absurdamente maiores do que em qualquer outro país do mundo. Algumas motos chegam a ter a cotação equivalente a 1/3 do valor do bem, o que projeta a inacreditável estatística de um roubo a cada três motos seguradas. Além disso, as empresas de seguro simplesmente se recusam a aceitar alguns modelos. Ou seja, no Brasil a atividade de seguradora é 100% segura e lucrativa e não representa risco como nos países normais. Sem falar no DPVAT de moto, que é mais caro de todos os veículos e que não é devolvido em caso de roubo. E tem mais: o leilão de motos sinistradas também alimenta o comércio clandestino.

Em suma, de toda cadeia produtiva o único que perde dinheiro com o roubo de moto é o proprietário, o cidadão, o contribuinte. Por isso que não há uma ação específica para combater esse tipo de roubo, porque não afeta o fabricante, nem o Estado, nem os comerciantes, nem os bancos e muito menos as seguradoras.

Se o Estado e município perdessem dinheiro trabalhariam para reduzir os roubos. Se as fábricas perdessem dinheiro criariam uma forma de evitar os roubos. Se as financeiras e seguradoras perdessem dinheiro os roubos reduziriam com certeza. Como o único prejudicado é o cidadão, que não tem voz ativa neste sistema, os roubos de motos nunca serão combatidos.

O Estado vive anunciado que gasta milhões de reais com os acidentes de motos. Que os leitos de hospitais públicos são ocupados por motociclistas acidentados. Mas quando um motociclista é assassinado durante um assalto a família não cobra do Estado os milhões de reais que essa dor causou. Os filhos que crescerão sem pai não deixarão de pagar os impostos que deverão sustentar os hospitais públicos.

A única vítima do roubo de moto é o proprietário. Inclusive quando é assassinado.

Mas tem uma cadeia "produtiva" que é a maior beneficiária deste caos na segurança pública: os comerciantes clandestinos, que vendem peças de motos roubadas. Eles atuam em vários segmentos da atividade ilícita, desde o roubo em si, passando pela receptação e terminando na comercialização. Este comércio a céu aberto alimenta a segunda maior vendedora de peças e motos do Brasil: a robauto!

O que queremos chamar a atenção com o Buzinaço da Paz é não só cobrar mais empenho no combate ao roubo e na fiscalização sistemática, mas também propor mudanças na forma que são promovidos os leilões de motos sinistradas. Fiscalização pesada sobre as lojas que comercializam peças usadas. Aumento da pena para quem adquire peças roubadas (receptação) e a inevitável alteração na maioridade legal para acabar com os assassinos de 14, 15, 16 e 17 anos!

Mais uma vez obrigado pela presença de todos"

No blog do Tite tem a matéria completa.

E aqui (aqui também), fotos maravilhosas feitas por mim que não foram publicadas em lugar nenhum.

O Renzo fez um filme. Tá aqui.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Kart, comme il faut


Custo baixo, boa velocidade e sofisticação. Nada mal para um micro veículo de corrida. Um motor de moto, um chassis bem projetado, pneus de kart, pouca viadagem. Ótima receita.

Info, fotos, specs e mais videos, aqui.

A dica é do marujo de água doce Felipe Nicoliello.

3.000 rpm


O título deste post tem um motivo: conheço gente que não deixa os motores de seus carros passarem dessa velocidade angular em hipótese alguma.

"O motor explode".

Não tenho mais paciência pra argumentar quando ouço uma besteira desse quilate. Nem toco mais nesse assunto. Se for o caso, agradeço a carona (de um tempo pra cá tenho usado muito esse meio de transporte) e peço pra descer.

Hoje, no ótimo AutoEntusiastas, me deparo com esse delicioso texto do Arnaldo Keller, o qual reproduzo na íntegra:

"Acelera aí, rapaz!


— Acelera! Vamos! Acelera até o talo e agüenta a mão! 

Estou acostumado a dizer isso. Estou acostumado a ficar insistindo para que não tenham medo e pisem no acelerador até bater na tábua. A expressão “pé na tábua”, por sinal, vem do tempo em que a parede de fogo não protegia contra fogo nenhum porque era feita de tábua. Era assim em carros até o começo da década de 1930, então quando o sujeito acelerava tudo batia o pé nessa tábua. É legal escutar esse barulho “toc” de bater o pé na tábua. Fica claro que a coisa está no talo.

— Pé na tábua, então! Acelera tudo, caramba! Está com medo de quê? Está tudo livre e só estamos em 2ª marcha! Em 2ª esse carro não passa de uns oitenta! Então, vamos! Acelera aí!

Com carro carburado não é essa moleza de acelerar os carros modernos, com injeção eletrônica, acelerador eletrônico, monitores de nossos atos ao volante. Com os carros modernos, se você quiser arrancar o mais forte possível, basta acelerar direto ao talo que a programação do acelerador faz a coisa certa, dosa da melhor maneira e vai acelerando na mais rápida progressão possível, mas com carburado não é assim, não, pois com eles, estando em giro baixo, meter o pé direto ao talo muitas vezes é contra-producente, o motor engasga, pois a mistura ar-combustível sai errada, muito ar para pouco combustível, dá falta e em vez dele acelerar ele empaca. 
Então, em carro carburado – principalmente os mexidos, com comando bravo – para acelerar o mais forte possível a gente mesmo tem que dosar, tem que sentir na base da sintonia fina, conectar a sensibilidade do pé direito ao som e à pressão que sentimos das nossas costas ao encontro do encosto do banco. Em carburados e mexidos, comando bravo, temos que embrear e levantar o giro para uma rotação em que sentimos/ouvimos/sabemos que o motor limpou e que a partir daquela rotação, se soltarmos adequadamente a embreagem, ele aceita que aceleremos rápido até no talo, que então ele aceita sem engasgos. 

Acelerar esses carros é uma técnica, portanto. Acelerar os carros modernos não exige técnica alguma. Basta mover o pé direito como bem quiser. Portanto, acelera essa coisa aí! Vamos! Acelera! Tá com medo de quê? 

A grande maioria dos motoristas não sabe acelerar nem os carros modernos. Não sabe ou tem medo, sei lá, ou os dois. Só sei que não aceleram. Não aceleram no talo. Parece que há um tabú, um forte receio, como se isso fosse uma loucura, sendo que é justamente o contrário. Loucura é dirigir e não saber dirigir.

Eu não piloto avião. Não sei, nunca aprendi, já voei muitas vezes em teco-tecos (apelido que o Bob odeia, mas eu não), já os segurei na reta e no plano, quase sem me mexer, só para sentir o avião na mão. Só sei rudimentos e aposto que deve ter algum chimpanzé treinado por aí que pilota avião melhor que eu, então não me meto a pilotar avião. Sou um cara razoável, não é não? 

Não sei pilotar avião, então não saio voando feito tonto por aí. Mas acontece que ao viajar nos feriados de final de ano a gente divide a estrada com muita gente que não é nada razoável, gente que não sabe dirigir e se mete na estrada porque algum instrutor irresponsável lhe carimbou a carteira de habilitação e isso é o suficiente para lhe dar a confiança necessária para carregar até os tampos o carro com a família e malas e cachorro poodle branco com lacinhos e sair estrada afora como se fosse a coisa mais segura do mundo. 

E lá vão os despreparados, uns coladinhos às traseiras dos outros. Com chuva, piorou. À noite, piorou. À noite e com chuva... desastre iminente. Haja anjo da guarda! Mamma mia! 

Eu, por exemplo, com estrada vazia, adoro viajar à noite, com chuva torrencial e tempestade de ventania. Folhas voando, rodemoinhos, o carro tomando lufadas laterais de vento que o chacoalham e depois dá aquela parada no vento, tipo vácuo, e o carro instantaneamente se estabiliza..., e depois vem outra lufada, bufff! Adoro, uai, acho legal. É só maneirar que tudo segue bem.

Mas tem gente, a maioria, que se apavora e faz besteira, mete o pé no freio sem olhar para trás, sai para o acostamento sem avisar, fica parado no acostamento sem ter ligado o pisca-alerta, ou vai devagar com o pisca-alerta ligado (quando que o pisca-alerta só deve ser ligado se o carro estiver parado, nunca em movimento). 

E faz esse monte de besteiras e mais outras inimagináveis besteiras, quando não teria nada que recear, caso soubessem dirigir. É como sempre digo: nunca menosprezem a burrice alheia. Esperem tudo e esperem também pelo impensável. Se me colocarem para pilotar um avião, por exemplo, se o piloto pular de pára-quedas e me deixar ali sozinho, e sem pára-quedas, sei que farei um monte de besteiras, sei que vou me apavorar e que as coisas estarão fora do meu controle, então não me meto a pilotar avião sem que um piloto não possa assumir imediatamente. 

Mas muita gente se mete a dirigir sem saber dirigir, e isso é um caldo de cultura para a criação de desgraças. E depois vem o governo com campanhas para que tenham cuidado nas estradas, a TV divulgando as estatísticas dos acidentes, acidentes com vítimas, com mortes, com famílias inteiras indo pro beleléu, filmagem de bonequinha estropiada na lama etc., essas coisas escabrosas e sanguinolentas dignas de estatísticas de guerra.

O governo, ou os governos, melhor dizendo, dando pinta de que não têm nada a ver com isso, dando pinta de que não é culpa dele que as estradas estão cheias de motoristas que não merecem o título, que não merecem ser considerados “habiltados”. 

Habilitados uma ova! Então vamos! Acelera aí! Motorista também tem que saber acelerar essa joça! Acelera, po...! Muitas vezes, para escaparmos de uma encrenca é preciso acelerar. Não é só saber frear, não. Frear, outra coisa que a maioria não sabe, saber que o carro freia muito mais do que acham que freia. Estou acostumado a me dizerem: “Puxa! Achei que não ia dar para frear para a curva!” Dá vontade de falar: “Claro que você achava que não ia dar. Claro! Você não sabe frear, uai! 

Nunca tentou, nunca testou seu carro, nunca se testou, nunca tentou melhorar, nunca tentou, dentro de ambientes seguros, conhecer os limites. Nunca se colocou numa situação de ter que controlar e alinhar algum desgarre na freada. Bancou o burro. Foi imprevidente. Foi irresponsável, pois está comandando uma máquina que pode ser muito perigosa se você não souber o que ela faz, como se comporta em situações de emergência. Em céu de brigadeiro, tudo bem, qualquer desmiolado toca a coisa, já que é só encaixar o carro na faixa que a coisa vai, mas quero ver na hora da encrenca.
Mas freada é outro assunto. O assunto agora é acelerar. Acelera aí, cacete! Anos atrás convenci minha mãe a trocar seu Santana câmbio manual por um carro automático. A idade foi chegando e ela guia pra cima e pra baixo, então achei mais conveniente o automático, cansa menos. Por eu ter estado na Argentina e visto muitos Peugeot 405 trabalhando de táxi e os caras falando maravilhas do carro, achei aqui um com 20 mil km, lindo, bordô, bom preço, guiei, gostei, e ela o comprou. Ela adorava o carro, mas achava que ele não “puxava” muito.

— Mas, como não puxa, mãe? Olha aqui! — e toca eu a acelerar no talo e o 405 andar pra burro. "Na estrada ele vai bem", dizia ela, "corre que eu nem percebo. Quando vou ver ele está a 140, mas na cidade a gente acelera e ele não vai."

O galho é que ela simplesmente não acelerava o suficiente. Ela é que não atolava o pé. Anos depois ela comprou, sem me consultar, “escondido”, um Citroën Xsara 2-litros, automático, que ela adorou, pois dizia que esse, sim, “puxava bem”. Entendi a coisa e o próximo foi um Ford Focus, 2-litros, automático, que tem um comando de acelerador eletrônico modulado para acelerar forte logo de cara. Esse, pra ela, “puxa muito bem”. 

Para mim, ele de cara puxa bem, mas depois não segue puxando como pintava que faria. Nada de mais, portanto. Parece cavalo Mangalarga que trotando sapateia todo fogoso, branco de suor, a boca babando pedindo rédeas, as ferraduras soltando faíscas, mas se você soltar as rédeas e cutucar suas costelas vem um galope meio pocotó desapontador, enquanto que o cabisbaixo punga peludo do peão já está levantando poeira lá adiante. 

Outro dia, num post sobre o Honda Civic, dei minha opinião dizendo que tinha absoluta certeza de que ele, assim como o Toyota Corolla, não precisava de um motor de 2 litros, e que o 1,8-litro dava e sobrava, e sobrava muito. Acontece que a característica do Civic é de motor virador, de potência em alta, que continua acelerando feliz numa faixa de giro em que a maioria dos outros motores já estão se esgoelando. Apesar dele ter comando de válvulas variável em fase e levantamento de válvulas que ajuda a lhe dar boa potência em baixa, seu comando de aceleração é mais progressivo, mais suave, o que acho correto, pois se gasta menos combustível e se a pessoa quiser que corra basta que acelere fundo que vem muita potência em giro alto. Está certíssimo. 

Mas não adianta, pois a maioria não vai fundo, a maioria tira o pé ou mete marcha mais alta antes da hora, e depois vem falando que o carro não anda. Tá bom que o Civic 1,8-l não anda, tá bom... Cento e quarenta cv é pouco para um carro com 1.280 kg. Só aqui mesmo. Para o resto do mundo basta e para o brasileiro não.

E carro com motor de 1-litro, então, minha nossa! A maioria diz que esses não andam nada. Então que me expliquem como é que na estrada volta e meia me passa um desses, seja de qual marca for, e passa babando a mais de 140 ou 150 km/h, principalmente carros de firma com emblema na porta, vendedor, assistência técnica, essas coisas, moçada no trampo que vive viajando e está louca para voltar para casa. Esses, ao menos, sabem acelerar. Que nem motoboy, esses, ninguém há de negar, sabem acelerar suas 125. Já frear é outra história, pois só freiam com o pé, só o freio traseiro, o menos eficiente, e vão escorregando até se esborracharem.

Portanto, finalizando, estou acostumado, acostumadíssimo, a mandar alguém dirigir e lhe pedir para que acelere fundo e agüente a mão. A maioria não acelera, não sabe acelerar. Por isso insisto quando estou com minhas filhas dirigindo. Na maioria das vezes as coloco para guiar e vou ao lado. Em locais propícios, seguros, em marchas baixas, 1ª, 2ª, 3ª, peço que se acostumem a acelerar. Mando que atolem o pé até o talo, mando que esperem com o pé ali, no talo, mando que suportem a tentação de trocar de marcha, coloco minha mão sobre a alavanca de câmbio, impedindo-as de ceder à tentação, e digo que o carro não vai explodir, que não acontece nada com o motor e até lhe faz bem. 

Mas ainda não estou satisfeito. Isso demora a acostumar. Sendo assim, só posso aconselhar. Escolha um lugar próprio, seguro, vazio, e ensine a acelerar. Pé no talo e agüente a mão. Demora a aprender, mas faz parte da educação ao volante, é uma das coisas a se saber fazer. Faz parte da máxima segurança.

Aliás, é por isso que em qualquer avião, até nos teco-tecos (desculpe, Bob!), na corrida para decolagem o acelerador é levado ao talo. Em todos que voei vi a mesma coisa, talo na decolagem.

Acelera aí, caramba! Deixe o motor mostrar toda a sua força. Conheça-o.

Arnaldo Keller"

Post scriptum: Procurem a série de posts do Arnaldo sobre um Jaguar que ele teve quando era moleque. História deliciosa.


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

1980


7.960


O espevitado Heitor Nunes garimpou este belíssimo video de uma das últimas corridas feitas na pista antiga de Interlagos. A de verdade, com quase 8 km de extensão.

Acho que nunca tinha visto uma tomada on board de algum carro de verdade. Carro de verdade é o que a gente dirige na rua e na pista. No caso, um Escort.

A gente quase esquece o que é pilotar quando anda na pista atual de Interlagos. Não tem mais curva de gente grande lá, infelizmente.

Mas a segurança...

sábado, 5 de janeiro de 2013

2.000 cc

Que tal uma moto com motor de apenas um cilindro e 2.000 cc? Franz Langer, não contente em ter construído uma NSU monocilindro de 1.000 cc em 1998, fez esse monstro aqui:


O bloco do motor é de uma NSU Konsul, originalmente de 500 cc. O cilindro e o cabeçote foram doados por um motor radial aeronáutico. Das especificações técnicas, são interessantíssimos o diâmetro e curso, de 146 por 118 milímetros, e a taxa de compressão super baixa de 4,25:1.

A historia toda tá aqui, neste link. Tá em alemão mas tem bastante foto pra ver. He he he...

A moto que originou esse monstro é essa aqui:


Eu deixava ela do jeito que saiu da fábrica...






Segura na mão de deus e vai