terça-feira, 12 de agosto de 2014

Carros velhos, clubes e função social

Quem é interessado em hobbies geralmente encontra em revistas específicas a oferta de cursos e workshops de joalheria, bricolagem, fotografia, ikebana e tapeçaria, que são até corriqueiros.

Mas e quem gosta de carros antigos? Tem que se conformar com o autoditatismo e arcar ou com o alto custo do aprendizado ou com o alto custo de mão-de-obra competente?

Isso era assim antes que o Clube do Carro Antigo montasse em sua sede no Jabaquara uma escola de restauração. Alá:
 
Sala de aula teórica. Thais, a professora, falando sobre motor de partida.

Um dos ambientes das aulas práticas.

Administrativamente o Clube funciona do mesmo jeito que outras associações com o mesmo fim. É filiado à Federação Brasileira de Veículos Antigos, faz vistoria para pretendentes à placa preta, emite o certificado necessário à importação de carros colecionáveis.

Até aí, sem novidade.

Diferente é ter uma sede super legal e muito bem aparelhada e oferecer um curso de restauração de carros antigos bastante abrangente.

Ricardo Oppi, dono de conceituada oficina de restauração, é o encarregado do projeto, auxiliado pela minha querida amiga Thais Roland.

Oppi explica: "hoje as oficinas de reparação são mais focadas no rápido fluxo de trabalho, optando por trocar peças em vez de restaurá-las. E é justamente o aproveitamento das várias partes originais de um carro antigo que é, ou deveria ser, objeto de uma restauração criteriosa."

O critério se dá também pela divisão das tarefas: motor, câmbio, chassis (mais suspensão, freios e sistema de direção), funilaria e pintura e tapeçaria são tratados em módulos distintos.

O projeto tocado pela turma atual de alunos é a restauração de um VW Sedan 1978 que permaneceu por muito tempo na garagem de sua dona, na verdade viúva do antigo dono. O carro foi doado ao Clube do Carro Antigo e está sendo restaurado passo a passo sob a supervisão de Ricardo Oppi. Estive lá em duas oportunidades e fiquei bastante contente ao saber que as bandejas originais do chassis, já atacadas pela ferrugem, não foram trocadas completamente, como é de praxe mesmo em oficinas especializadas em restauração de mecânica VW a ar, Pumas inclusive. Apenas as partes muito atingidas foram cortadas e substituídas por remendos retirados, estes sim, de assoalhos novos.


  
Cortar o pedaço ruim, moldar o "buraco", cortar a parte a ser aproveitada do assoalho novo, soldar. Essas operações são pacientemente feitas com equipamentos novos e em grande parte doados por empresas interessadas no projeto.


 Ferramentas. Tem de tudo e tudo no seu lugar.

A organização não é só pras "visitas" verem. Tanto a oficina mecânica quanto a de pintura direcionam os líquidos inaproveitáveis para um reservatório grande o suficiente para ser esvaziado em períodos longos. Responsabilidade social faz parte desse projeto.

Na bancada, aula sobre carburadores. Lá no fundo um aluno segura o carburador Solex H30PIC do fusca. Manuais com medidas, parâmetros e especificações não faltam. O material de apoio é farto e bastante completo.



 Motor 1600 refrigerado a ar já medido pelos
 alunos e aguardando a visita à retífica.


 Motores doados à escola. Aí tem motor à gasolina
de trator da década de 30, V8 Flat Head, 
V8 302 moderno, CHT Formula  outros.
 
Entre os alunos, de boné branco, o mega boa gente Ricardo Oppi.


O mais legal, sem dúvida, é o projeto de inclusão social que o Clube do Carro Antigo promove, ao ensinar e encaminhar jovens de comunidades da região a oficinas de restauração. Não vi isso em nenhuma outra associação de donos de carros antigos até agora.

Não era pra ligar o carro nessa aula mas... motor montado, carburador recém revisado na aula que eu fotografei, combustível à disposição, bateria, tudo!

"Taca fire!"

He he he...

Tacaram mesmo.




Serviço:

www.clubedocarroantigo.org.br
Ricardo Oppi: ricardooppi@clubedocarroantigodobrasil.com.br