quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Pur Sang

Vocês, avaliadores de carros antigos dedicados ao cargo, mais do que sabem que o manual do avaliador da Federação Brasileira de Veículos Antigos começa descrevendo ítens excludentes. A primeira lista de recomendações é justamente a que elenca os motivos que levam carros a não serem nem avaliados. É bater o olho, agradecer a visita do proprietário e dispensar os avaliadores auxiliares, o fotógrafo, o ajudante e a copeira que serve o café pra todo mundo. Mas o manual abre a possibilidade da avaliação das réplicas caso sejam licenciadas pelos fabricantes primários.

Considerei a relevância do assunto tendo em mente dois carros: o Envemo Super 90, réplica do Porsche 356C, e o Pur Sang, do qual falarei mais adiante, só que lembrei do MP Lafer, que pretende ser réplica do britânico MG TD de 1952 apesar da mecânica VW a ar.

Já vistoriei alguns Envemo que fizeram mais de 80 pontos e hoje circulam com placas pretas. Sei que os carros desse fabricante, apesar de não serem idênticos aos originais (são um pouco mais largos em função das bitolas maiores dos eixos do VW Brasilia, que lhe cede a mecânica), foram elogiados pelo fabricante original. Não sei se foram, todos, licenciados pelos fabricantes mas já vi Chamonix Super 90 e MP Lafer com placas pretas.

De todo modo dá pra considerar esses carros como qualquer outro de linha de produção mas isso não vem exatamente ao caso.

Lembram do Pur Sang? Olha ele aqui, apresentado por Jay Leno:


Um cara lá, nao o Jay Leno, explica por alto como o carro é fabricado. Os caras reproduzem inclusive o método como ele era feito. O capô do motor, por exemplo, não é estampado e sim modelado na roda inglesa (google aqui), os rebites são martelados e até os pneus são produzidos na fábrica, também similar à original Bugatti em Molsheim, França, que fazia manutenção nos Bugatti originais.

Essas réplicas do T35 são recentes e são passíveis de algumas concessões tais como ventilador elétrico para o radiador, ignição mais moderna e outros pequenos detalhes.

Mas você, avaliador, concederia aos donos essas réplicas o direito a circular com placas pretas daqui a trinta anos?