terça-feira, 27 de março de 2012

Mondo cane



Já falei aqui sobre grandes pancas e sua influência sobre a pilotagem. Porque tem influência. Pelo menos por um tempo. Isso se a gente não perder um pedaço do corpo ou a vida mesmo, quando a influência é perene e imutável, no segundo caso.

Contei minha experiência e como encaro isso agora, muito tempo depois da minha grande panca (na pista porque fora teve mais. Mas isso é outra história). Hoje prefiro treinar, só. E de preferência sozinho na pista pra eliminar a indecisão que rouba um ou dois décimos por conta de não se poder antever uma situação potencialmente perigosa, eventualmente. (Só que eu corro de kart e carro se me convidarem, claro)

Mas tem um cara que não tá nem aí com isso e pra falar a verdade deve estar ainda mais rápido do que antes da mega panca que deu em 2001 num circuito oval, andando com um monoposto de indy.

Pra falar a verdade acho até que esse cara tira vantagem disso porque perdeu grande parte das duas pernas. Em termos práticos, aproximadamente 11 a 13 kg, levando em conta que sobrou uma boa parte dos dois fêmures e músculos das coxas. Tô me baseando na estimativa média de 12% do peso do corpo de uma pessoa de 70 kg e levando em conta que não foram as duas pernas inteiras decepadas. Desse modo, é lícito falar em aproximadamente 8,5 kg por perna, onde 70% de cada uma sumiu.

Isso faz diferença, pra quem pilota. Peso sempre faz diferença.

Pernas ajudam na pilotagem. Muito. Mas não é a falta de uma ou duas que vai impedir um cara que sabe guiar de continuar fazendo isso, como é o caso do Alex Zanardi.

Alá:

Não preciso dizer que os pedaços vermelhos voando não são do carro #66

Mondo cane. 

Eu avisei.

Depois disso o Alex Zanardi passou andar de saloon car, dentre outras modalidades:


Vermelho acelera e verde freia? Er... não.



Eu mesmo já dirigi automóveis menos de 30 dias depois de ter sofrido um severo acidente que quase me manda encontrar o Criador antes da hora e que praticamente inutilizou o pé do freio (do kart) e danificou severamente o antebraço que troca de marcha (do carro), sem contar os danos consideráveis em ossos importantes na junção da perna do freio (do kart) com o resto do corpo. Ainda assim dá pra andar e bem rápido.

Pilota-se mais com a inteligência (e com o Chi, claro) do que com o corpo. O corpo ajuda porque acaba por setorizar os inputs dados no carro/kart. Cada membro se ocupa de uma ou duas funções. Mas nada impede que se execute várias funções com menos membros.

Mais do que isso, pilota-se com a vontade férrea de andar rápido e fazer tudo certo. Isso não falta ao Alex Zanardi, garanto. 

Nem a mim.



As fotos da panca com indy car foram enviadas por Roberto Henrique Taborda. As outras peguei a esmo, como sempre.