quarta-feira, 14 de março de 2012

The big one

Muito difícil eu falar de Formula 1, mas acabei de ver este video:


É da classificação ou treino, sei lá, da edição de SPA de 1980 e pouco (quem conhece bem F1 que traga a info correta para os comments que eu conserto o texto depois).

A panca do Zanardi não interessa muito, apesar de ter sido bem forte. O que chama a atenção é o fato do Ayrton Senna entrar na praça de guerra que o Zanardi deixou instalada a milhão, quase que ele mesmo estampando forte o muro.

Me peguei pensando nisso de uns dois ou três anos pra cá. E pra falar a verdade, comecei a ficar mais lento em corridas de kart.

Já falei que além da técnica de pilotagem a gente usa uma força interior, o Chi, pra guiar rápido. Bom, eu uso isso, pelo menos e não me tem feito mal.

Só que tudo muda depois da primeira panca realmente forte que a gente dá, como veremos adiante.

A gente anda não focado no que tá acontecendo no momento mas no que vai acontecer segundos adiante. O que o carro/kart tá fazendo no momento atual a gente já equacionou mentalmente e o corpo já tá tomando as atitudes necessárias pra que o kart/carro faça.

Acredito que o Ayrton tenha entrado na Eau Rouge pensando onde ia botar o carro na saída enquanto fazia o grande S do meio. Terminado o S ele já tava começando e tirar o carro pra reta e já pensando lá adiante na freada pra curva no fim da longa reta em subida e muitíssimo ocupado com isso.

Do nada aparece o monte de sucata de Lotus na pista e... só restou cravar o freio e esperar não bater em nada com muita violência.

Deu certo, pra ele (pro Zanardi, não).

Pra mim foi parecido só que pior, guardadas as devidas proporções. Eu fazendo a qualificação de uma corrida noturna sob chuva sem nenhuma importância e era a primeira vez que tava indo pra pista depois de quase ter perdido a visão do olho direito por conta de uma contaminação com pó de fibra-de-vidro.

A reta da arquibancada do kartódromo de Interlagos não é reta. Tem duas curvas rápidas no meio, feitas flat out no seco e quase isso no molhado. Juntando isso com a péssima iluminação do kartódromo, mais a viseira embaçada do meu capacete, menos 50% de visão e mais o Chi que eu já tinha projetado para a freada da curva da balança, não percebí que já tinha kart parado na pista para a formação do grid de largada.

Óbvio, enchí a traseira de um kart parado praticamente dando velocidade final. Batí no kart parado pisando no acelerador e assim continuei até entender o que estava acontecendo nos 2 ou 3 décimos de segundo seguintes.

Resultado: um fêmur trincado.

Assusta, isso, porque fêmur aguenta MUITA carga até que se rompa.

Assusta mais porque a gente passa a botar na conta da pilotagem a possibilidade de acontecer um imprevisto que a gente não esteja focando e do qual a gente não vai ter tempo de desviar ou fazer qualquer coisa pra minimizar o impacto.

Risco do esporte ou não, tenho medo de agulha e de anestesia.