quinta-feira, 25 de agosto de 2011

De Kombi em Mauá

Tenho um monte de amigos. A maioria sem muita noção e sem muito bom senso. Um deles é o M. Tripoli, empresário.

Dentre outras atividades, ele já teve empresa de transporte (outra boa história que um dia eu conto) e... uma fábrica de vassouras.

Hoje a história é sobre Kombi e fábrica de vassouras.

Um dia passa o Tripoli em casa à bordo de uma Kombi lotada de vassouras de piaçava pra fazer uma entrega em Mauá (perifa de Sampa). Perguntou se eu não queria ir junto.

Por que não?

A Kombi era assim:

Dalmata? Não. Kombi.

Mauá é longe da zona sul de Sampa. Bem longe.

Entrega feita, caminho de volta.

Comando policial.

Preciso dizer que a merda tava feita?

"Documentos da Kombi, por favor", disse o policial.

"Pois não", respondeu o Tripoli, entregando os documentos. Inacreditavelmente, em dia.

"Vou ter que apreender o veículo. A cor predominante que consta do documento é bege e... só o teto do veículo é bege."

Ai meu saco.

Sem muita grana no bolso, em Mauá (Mauá é longe pra caramba, já disse) e vislumbrando a possibilidade de voltar à pé.

Não aguentei.

"Seu guarda, pega aí os documentos em garantia. Eu dou um jeito", disse eu, sem paciência.

"Como?"

"Se a gente voltar aqui no comando com a Kombi numa cor só o senhor devolve os documentos?"

Com um sorrisinho maroto, "Devolvo sim".

Assumí o controle da balada e a direção da Kombi. O Tripoli falando um monte e eu dirigindo. Só dirigindo.

Entrei na primeira oficina de funilaria e pintura que ví. Tinha um pintor dentro dela, pintando um carro (que novidade...).

"Quanto cê quer pra me emprestar o revolver de pintura com tinta bege dentro?" Perguntei abrindo a porta da Kombi.

"Quê?"

Resumindo, por 50 dinheiros o cara me emprestou alugou o revolver de pintura com 400 ml de tinta bege.

Pintei a Kombi. Tudo que não era bege, ficou bege na marra.

Eu nunca tinha pintado um carro antes.

He he he...

"Toca pro comando", disse eu pro Tripoli.

O guarda, incrédulo, nos devolveu o documento da Kombi.

"Não fala nada até me deixar em casa", avisei pro Tripoli.