segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Placa preta

Já tinha feito um ou dois posts sobre este carro:


Era para o Puma Clube vistoriá-lo para a outorga das placas pretas. Mas qual não foi minha surpresa ao ver o carro assim:


Acontece que de fato fizemos a vistoria desse carro, na oficina em que foi (muito bem) restaurado. Nessa ocasião o carro teria feito 98 pontos de 100 possíveis se estivesse com as rodas corretas para o ano/modelo, ou 95 com as rodas "erradas" que tinha naquela ocasião. Erradas em termos, porque eram da mesma largura, off set, cor, fabricante e modelo das originais. Apenas tinham os furos arredondados adotados pela VW a partir de 1985 (o carro é de 1978).

Diz o Manual do Vistoriador: "1 – Itens excludentesImpeditivos para a avaliação – Alguns itens descaracterizam a aparência do veículo e impedem sua avaliação, desclassificando-o para a obtenção da placa preta, conforme abaixo:
...
·         Rodas inadequadas – (tolerar opcionais de fábrica) – A mudança de aro e de tala será item excludente indiscutível. Caso como as rodas do Ford modelo “A” com a borda virada ou não, poderá ser aceito, mas os pontos da roda serão dados como zero. Exemplares exclusivos de um modelo especial serão aceitos apenas para o modelo especial em questão (como o Fusca 1600 S, que possuía rodas 14” e não 15” como dos outros modelos de Fusca)."


Por um lamentável mal entendido, em consulta que fiz a outro membro da presidência do Puma Clube durante a vistoria do carro, optamos por suspender o processo de avaliação enquanto as rodas corretas para o ano/modelo não fossem instaladas. 


A rigor, de acordo com o texto extraído da regra exarada pela Federação Brasileira de Veículos Antigos, o carro poderia ter sido avaliado e teria perdido todos os pontos relativos ao item rodas. Apenas isso.


Mesmo assim, como disse, teria feito 95 pontos, que ainda assim seria uma das melhores pontuações alcançadas em vistorias feitas pelo Puma Clube.


Pela urgência do proprietário em transferir a documentação do carro face a demanda do antigo dono, legitimamente procurou outro agente vistoriador para dar seguimento ao processo e obteve o direito a ostentar as cobiçadas placas pretas.


O carro é, garanto, fonte de referência para quem pretende restaurar outro modelo desse belíssimo Passat. Perfeito em todos os detalhes.


Eu acompanhei sua restauração e testemunhei o esforço do proprietário na busca por peças originais, com as logomarcas VW e Audi grafadas, além do part number correto. Em todos os detalhes, mesmo dos não aparentes.


Agora o carro está equipado com as rodas aro 14 da Variant II, raras já, com sobrearos cromados e calotas pintadas de prata. Prática comum à época.


Apesar de, agora sim, ter motivo para a exclusão de avaliação, ela está feita e o carro tem Certificado de Originalidade já emitido e já processado pelo Detran. Ou seja, tem placas pretas. Sei que o dono tem as rodas originais guardadas e sei que as instalará no carro por época da revistoria (a cada 5 anos).


E aí? Crime grave inafiançável e passível de morte na cadeira elétrica?


Acho que não.


Alá que carro. QUE CARRO!












Quem é que não quis ter um Passat TS verde mantiqueira na década de 70? E hoje? Eu tive um, mas era 1980 e branco. Já o dos faróis quadrados e com spoiler preto abaixo do parachoque dianteiro. Nem de longe tão charmoso quanto esse ´78.

Na "pilotagem" da restauração, Domingos Avalone. Funilaria e pintura caprichadíssimas do Carlão e do Deodato e tapeçaria espetacular do Dézão. O Domingos é dono de uma das melhores oficinas de restauração, se não for a melhor, já que lá os projetos são tratados de forma séria, profissional e dedicada. Não se mede esforço pra deixar um carro tão bom como quando saiu da fábrica. Sem contar que a Sportdaf é hoje um importante ponto de encontro para antigomobilistas atentos à originalidade especialmente dos carrinhos lindos (carrinho lindo é Puma, né!).

O Puma Clube é cliente da Sportdaf. Tá bom assim? E o presidente do Puma Clube (por acaso, eu) tá sempre por lá conversando sobre técnicas, métodos e materiais para restauração. (E tomando café)

(fico devendo post exclusivo apresentando um por um os caras que fazem carros véios se tornarem carros legais impecáveis e colecionáveis)


P.S. Já devo ter dito que cheguei a conversar com o dono anterior desse carro sobre a troca do meu carrinho lindo por ele, né? Pois foi isso mesmo. Esse carro quase foi meu. Mas não tem problema porque está em ótimas mãos. A gente tem certeza que ele nunca terá motor turbo, nunca será rebaixado e jamais usará as horríveis rodas de Gol GTI aro 15, 16 ou 17.