quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

CG!

Adiantei bastante o chassis da moto e tá faltando apenas alguns detalhes pra terminar fazer o acionamento do freio traseiro, o que vai dar uma canseira considerável, agora que me detive mais longamente na observação do problema.

Mas eu queria mesmo é começar logo a preparar o motorzinho OHV.

Algumas peças já chegaram e já mostrei aqui. Agora é mais séria a brincadeira porque vou adequar o cabeçote ao novo carburador e à nova proposta da moto. A proposta é simples: andar o mais rápido e o melhor possível em pistas de corrida. Afinal de contas o brinquedinho tá sendo feito pra isso mesmo. Então não ia ser com o motorzinho de 125 cc original que a gente ia se divertir.

Se bem que na época da Formula Honda as pequenas CG apenas adequadas ao uso de álcool e com um tapinha aqui e acolá eram capazes de atingir mais ou menos 160 km/h no fim do antigo retão em Interlagos.

Mas resolvi partir pra ignorância aumentando a capacidade cúbica, melhorando a carburação e a ignição e fazendo outros pequenos acertos.

Só que tinha um problema. Nunca fiz motor de moto pequena de quatro tempos antes. Não que seja fundamentalmente diferente de um motor de carro (a Física é sempre a mesma no universo inteiro, acredito eu) mas a disposição dos elementos mecânicos não é a mesma por conta das peculiaridades de uma motocicleta: o motor é bem mais compacto e a disposição de seus complementos obedece a uma ordem lógica e relativamente diversa da de um carro.

Pra contornar esse empecilho (sempre achei que era impecilho. E continuo achando que impecilho é mais legal que empecilho) acabei comprando um outro motor OHV do jeito que eu queria: fundido e já desmontado. Assim não tem como eu ficar com pena de ter estragado uma peça tentando modificá-la pra nova proposta, que é andar o mais rápido possível.

Então, tá aí o motor "novo":


O ex dono me disse que o motor fundiu por falta de lubrificação mas não acredito nisso. A camisa não tem sinais de ter atritado com o pistão. Mas o pistão virou pó de alumínio além de ter atropelado as válvulas fortemente.

Alá como tá a câmara de combustão:


Até as guias das válvulas quebraram.

O CLÁ CLÁ CLÁ CLÁ CLÁ CLÁ que esse motor fez no exato instante em que virou sucata deve ter sido fenomenal...

Mas ele agora é como se fosse um cadáver numa escola de medicina. Vai ter um fim digno, que é o meu aprendizado na preparação de motores OHV de baixa capacidade cúbica.

A primeira intervenção que ele sofreu foi a adequação do duto de admissão ao novo conjunto coletor/carburador, bem maior que o original.

Pintei com um marker laranja a área do coletor no no cabeçote que vai ser efetivamente usado pra ter idéia de quanto a micro retífica ia ter que desbastar e qual o novo perfil que o duto deveria ter:


Fiz a mesma coisa no cabeçote-defunto e mudei tanto a área de passagem quanto o perfil.

Alá:


Ainda não fiz os devidos testes pra tentar ver como a mistura vai entrar no cabeçote porque não tenho as válvulas, que foram demolidas nesse motor-defunto. Como não tenho um bench flow em casa (apesar de não ser rocket science fazer um caseiro), vou me valer de outro artifício para avaliar o fluxo na admissão. Cansei de ver preparadores relativamente bem sucedidos em competições, do tipo self made man without any theoretical basis usando esse método. Em respeito a eles, não conto como é.

He he he...

Daqui em diante e enquanto durar a preparação do pequeno motor OHV os posts vão ficar mais detalhados e longos.

Carbs are all about.

No fim final do power up, como sou demorado e preguiçoso pra caramba e tem muitos aspectos a abordar, Oreste Berta, o mago de Alta Gracia (um PUTA preparador de motores argentino, pra quem não sabe) já vai ter morrido e eu dedico a preparação do pequeno OHV a ele.