terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Controlar (o bicho vai pegar)

Visitei um dos pontos de coleta de grana fácil vistoria da empresa Controlar. Pela segunda vez com o mesmo carro em menos de uma semana.

Apesar de velho, o carro é bom, bem construído, bem mantido e pouco usado (scooter é o máximo pra andar na minha cidade). Um bibelô, praticamente.

Carros alemães velhos ou novos são sempre bons.

Eu prefiro os velhos, ainda projetados sem a preocupação quase paranóica com a emissão de poluentes, que andam mais, tem melhor power band e não foram tão submetidos aos nefastos departamentos de marketing dos fabricantes. São carros feitos por engenheiros, basicamente, que provavelmente certamente gostam de dirigir. Marketeiro gosta é de festa e dinheiro. Só. (nada contra festa e dinheiro, mas eu gosto de dirigir também)

Alá os resultados das duas visitas;


Níveis de emissão ridiculamente baixos. Melhores do que a maioria dos carros flex novos. Solta o ar puro da Schwartzwald pelo cano de escape.

O certificado da esquerda atesta a rejeição do carrinho alemão. Muito suspeita, essa vistoria. 

Muito suspeita. 

O vistoriador demorou muito tempo inspecionando visualmente o carro. Mexeu em tudo no cofre do motor. TUDO. Enquanto o cara fuçava no carro, três outros passaram pelo mesmo procedimento na baia ao lado. Como não ando de óculos o tempo todo, não vi direito onde o indigitado botou a mão.

Mas o carro foi aprovado no teste de emissões.

Só que não ligou outra vez depois de retirado o sensor de rotação e a sonda do cano de escape.

Não ligou MESMO. 

Guincho, e direto para a oficina. 

Lá constataram que a bomba de combustível tinha queimado, não sendo possível inferir o motivo. Mas a caixa de fusíveis esteve ao alcance do vistoriador e, como disse, não prestei atenção em todo o procedimento.

Um amigo engenheiro (competente, ótimo piloto, autoentusiasta de carteirinha, boa gente) confirmou ser possível provocar a queima da bomba de combustível, que é elétrica, a partir da caixa de fusíveis que fica no cofre do motor.

O cara usou lanterna pra inspecionar o cofre do motor do carro velho alemão. 

LANTERNA! 

Era de manhã e tava um sol radiante.

Afastou cabos, tubos e fios dos seus lugares.

Olhou feio pra mim por umas duas vezes.

Terrível!

Me entregaram um certificado que atesta que o carro emite ar mais puro que o dos alpes suiços e me pediram pra levar o carro até o local onde se inspeciona ruído. 

Levar como?!? O motor não ligava!

"Funcionamento irregular do motor durante a inspeção de ruído"

QUE RUÍDO?!? O motor não ligava!

"VEÍCULO REJEITADO"

Calma. O guincho tá vindo, já

Corta a cena.

Outro dia.

Mesmo ponto de coleta de grana fácil vistoria, mesmo horário, mesmas condições atmosféricas, mesmo carro,  mesmo combustível no tanque, mesmo dono. Tentei usar a mesma máquina e o mesmo vistoriador também. 

Fechada, a máquina. Vistoriador de cara feia detectado no local. (o que usa lanterna em carros alemães antigos, pequenos, vermelhos e indefesos)

Máquina ao lado vazia. (oito, a primeira. Sete, a escolhida)

Carro entregue ao manobrista. Nenhuma recomendação especial ordenada de ambas as partes.

Menos de 5 minutos e... selo "doze" no parabrisas. Dispensado de verificação de ruído. (ah, sim. Mesmo silencioso - surdina pros gaúchos, mesmo catalisador, mesmo coletor de escape)

A empresa Controlar e a prefeitura da minha horrível e querida cidade (podia ser pior. Podia ser Mauá) têm sido questionados por bastante gente, incluindo o Ministério Público. Já fizeram diminuir o valor pago por cada vistoria, inclusive.

Agora vamos fazer barulho.

Carbon copy to meu advogado.